O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar

Enviada em 29/10/2019

Na obra ‘‘Capitães de Areia’’ do escritor Jorge Amado, apresenta-se o cotidiano de crianças abandonadas na Bahia, que cometem crimes como: furtos, agressões e estupros, sem sentirem o mínimo de remorso. Nesse contexto, é fato que a elevada agressividade dos jovens está em ascensão no Brasil contemporâneo, não somente nas ruas, como também nas escolas. A despeito disso, o mau comportamento está associado à ausência de participação familiar na vida do estudante, além do excesso de influências externas cujo adolescente está submetido, contribuindo decisivamente com suas ações em relação ao próximo.

Em primeiro momento, a negligencia familiar a respeito do comportamento de seus filhos é recorrentemente e erroneamente relacionada às complexidades da vida cotidiana. Nesse viés, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 19,8% dos estudantes já expuseram algum colega a uma situação vexatória.Desse modo, fica claro que a angústia e revolta juvenil provenientes do descaso parental é um dos fatores que resulta na ascendência da violência escolar. Além disso, o distanciamento na relação entre pais e filhos favorece o mau comportamento, pois a criança não possui um modelo de indivíduo e acaba por se espelhar em influências recorrentes de seu dia a dia, muitas das vezes, negativas.

Ademais, com o desenvolvimento dos meios de comunicação e a precoce adesão dos infantes a esses meios, facilitou-se o contato com o próximo. Dessa maneira, de acordo com o sociólogo Émile Durkheim, os preceitos e signos sociais criados pela coletividade exercem enorme influência sob as  ações individuais. Isto é, não só os colegas, como também as redes sociais influenciam no comportamento de crianças e adolescentes que possuem uma ânsia por pertencimento e aceitação por certos grupos sociais. Logo, atos de agressões físicas ou psicológicas são formas de expressar aquilo que estão habituados a presenciar.

Faz-se necessária, portanto, uma coesão entre Ministério da Educação(MEC) e escolas para mitigar a problemática. Primeiramente, cabe ao MEC criar uma lei que obrigue a presença de ao menos um psicólogo devidamente capacitado por escola. Assim, com a promoção de diálogos e acompanhamento psicológico com os alunos agressivos, pode-se sanar as causas do mau comportamento e possibilitar a convivência pacífica no meio escolar. Não obstante, as escolas devem promover reuniões com os pais de alunos, de forma a mantê-los informados sobre a conduta e desempenho estudantil de seus filhos, com o intuito de impulsionar o engajamento familiar acerca dos assuntos escolares. Enfim, espera-se que os meninos da Bahia recebam todo auxílio necessário para cessar seu excesso de agressividade.