O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar

Enviada em 29/10/2019

Se no passado uso da palmatória foi foco de muita discussão, hoje, mediante tantas mudanças sociais, a discussão passou a concentrar-se no lado discente. As últimas décadas trouxeram ao dicionário português termos como “bullying”, visto quase sempre como o cerne dos problemas escolares no século XXI. Nesse contexto, é indubitável que a desintegração das famílias e a diminuição relativa das punições no âmbito escolar constituem os maiores problemas a serem enfrentados.

Em primeiro lugar, destaca-se o êxodo rural, ocorrido em meados do século XX, como um dos fatores que levaram a uma maior desintegração familiar - fator deletério à qualidade da Educação infantil. Visto que esta encontra-se no centro de qualquer medida de combate à indisciplina e violência nas escolas, infere-se a importância do investimento na qualidade da base familiar. Nesse sentido, cita-se também o afrouxamento progressivo das leis, o que levou, historicamente, à uma maior sensação de impunidade por parte dos infratores no ambiente escolar.

Adicionalmente, reitera-se a legislação branda como um grande facilitador no recrudescimento da violência nas escolas; assim como a inerente dificuldade em detectar tais casos de abuso. Esse cenário leva a um aumento na incidência de casos, não acompanhado pelo aumento no número de denúncias. De fato, uma pesquisa do IBGE mostrou que, em 2015, 7,4% dos alunos relatavam ter sofrido algum tipo de agressão moral - com uma porcentagem maior admitindo ter cometido tais agressões.

Faz-se necessário, portanto, que o Ministério da Educação institua nas grades curriculares - sobretudo no ensino infantil e primário - conteúdos que contribuam para a formação de uma responsabilidade cível nos alunos. Tais conteúdos podem ser inseridos junto a conteúdos de ciências sociais, de forma a conscientizar os alunos sobre a necessidade de um ambiente pacífico nas escolas. Ademais, cabe ao Estado a criação de leis que facilitem a punição de infratores nas escolas e promovam a integração familiar, tão importante na formação de identidade nas crianças e jovens.