O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar

Enviada em 30/10/2019

Conforme o sociólogo Paulo Freire, a educação deve servir como mecanismo de libertação do indivíduo, promovendo, assim, uma “cultura de paz”. A escola, com isso, seria o meio essencial para a libertação humana. No entanto, com o aumento do mau comportamento e da agressividade de alunos no ambiente escolar, esse pensamento harmonioso vem sendo restringido e o convívio escolar - fundamental para o exercício da cidadania - hostilizado. Tal realidade, fruto da fragilização da educação doméstica e de um sistema educacional desgastado, é inconcebível e merece um olhar mais crítico de enfrentamento.

Em primeiro plano, é certo que o aumento da violência escolar se deve à fragilização das famílias contemporâneas. Acerca disso, em “Amor Líquido”, Zygmunt Bauman afirma que as relações interpessoais modernas estão “líquidas” (frágeis, voláteis e superficiais), visto que são consequência da sociedade de consumo, cujo princípio é “ter” em detrimento de “ser”. Dessa forma, a família, base da sociedade e do indivíduo, encontra-se enfraquecida em meio a tal liquidez. Nesse sentido, os jovens, ignorantes acerca da educação basilar sobre respeito e fraternidade, estão mais suscetíveis às diversas maneiras de intolerância e de ódio, o que, por fim, contribui para a crescente agressividade no ambiente escolar. Prova disso foi o atentado à escola Raul Brasil, em Suzano, onde dois jovens - um deles com complexos problemas familiares - atentaram contra a vida de alunos e funcionários.

Ademais, outro problema que acarreta na crescente violência é o desgaste do sistema educacional brasileiro - carente de dinamicidade e de ambientes acolhedores aos jovens. Segundo dados do Nexo Jornal, um dos motivos para a evasão escolar é a rigidez tanto curricular quanto social do ambiente da escola. Nesse contexto, a escola brasileira falha em não garantir uma formação humana integral ao inibir um ambiente inovador, dinâmico e empático aos jovens, seres em formação identitária e psicológica. Com isto, as relações entre alunos e funcionários tornam-se hostis, o que aumenta as chances do desenvolvimento de maus comportamentos entre estudantes.

Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigar essa problemática. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com as Secretarias de Educação estaduais, amenizar a crescente violência escolar, por meio da flexibilização da base curricular - instaurando, assim, matérias e projetos que de fato auxiliem a formação humana integral e democrática - e da adição da educação em tempo integral, uma vez que essas medidas, em conjunto, objetivam o aumento do desempenho e a melhoria do convívio escolar por integrarem os estudantes a um ambiente mais acolhedor e dinâmico. Quiçá, tal hiato reverter-se-á, fazendo “jus” ao papel da educação proposto por Paulo Freire.