O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar

Enviada em 31/10/2019

A obra cinematográfica “Matilda”, compõe a imagem da diretora Agatta como liderança opressora,  violenta e estabelecedora de absurda disciplina aos alunos. Pode-se observar, nesse contexto,  proximidade para com a realidade brasileira, no que concerne à violência no ambiente escolar, no  tocante à inversão dos papéis, sobretudo pela negligência do Estado e pela crescente violência entre  os alunos seja física, verbal ou moral. Logo, cumpre ressaltar as problemáticas da violência, presente  nas instituições públicas de ensino.

Em primeira instância, a indiferença estatal à educação pública fomenta o problema supracitado. A  esse respeito, o sociólogo Zygmunt Bauman conceituou, em sua obra “Modernidade Líquida”, as  “instituições zumbis”, órgãos que perderam suas funções sociais, mas mantém - a qualquer custo- suas formas. Nessa perspectiva, o Estado Democrático e de Direito encaixa-se na configuração de Bauman,  de maneira que a escola, cujo papel é o de propagar a liberdade, a convivência em harmonia e o  respeito, tem seus princípios omissos com o decadente ensino público e o histórico do convívio em  bairros violentos na periferia, os quais proporcionam um cotidiano comum de hostilidade e  vulnerabilidade desde a infância dos alunos.

Ademais, a persistência da problemática negligencia o aprendizado da socialização entre os  estudantes. Nesse viés, a formulação da Paz Armada - pós Primeira Guerra Mundial - teve seu  direcionamento à manutenção da paz, com o intuito de evitar novos conflitos entre os países.  Analogamente, a falha do sistema público de ensino, desde a estrutura precária à ineficiência na  formação do indivíduo pacífico e racional, corrobora à uma “guerra” interna de segregação, seja o  racismo, o bullying ou a homofobia. Com efeito, é incoerente que a sociedade civil e o Governo Federal  almeje o desenvolvimento nacional e falhe na construção educacional e mental do estudante.

Destarte, urge a primordialidade de ações que visem a mudança no cenário de violência nas escolas brasileiras. Para isso, o Ministério Público Federal deve, junto ao Ministério da Educação, promover o programa Coordenador de Pais em todo o território nacional, por meio de palestras e dinâmicas com profissionais pedagógicos e psicólogos da área educacional, com o intuito de favorecer o diálogo entre alunos e apresentá-los à importância da liberdade alcançada pela história e o respeito à individualidade do colega de classe, sobretudo pela necessidade de garantir a inclusão, sem distinção, no corpo social. Com isso, o contexto apresentado em Matilda estará limitado somente ao longa e a convivência respeitosa do ambiente escola não será negligenciada.