O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar
Enviada em 25/11/2019
Nos últimos anos, casos escandalosos de violência contra colegas e docentes em ambiente escolar podem ser encontrados facilmente nas páginas de qualquer noticiário. Todavia, ao limitar-se demasiadamente o escopo da discussão para somente as violências de natureza explicita, e ocorridas dentro do contexto escolar, corre-se o risco de que as de natureza mais discretas, ou realizadas fora da escola, não recebam devida atenção. O enfrentamento de todas as manifestações da mesma violência, bem como do motivo por trás delas, pode ser a chave para resolver a questão da violência escolar
Existem diversas formas de violência revestidas de uma forma muito mais discreta do que os ignóbil socos e pontapés, essas agressões, contudo, de forma alguma devem ser reputadas como inofensivas, pois na realidade verifica-se que essas podem ser as mais difíceis de enfrentar. As chamadas “microagressões”, pequenos atos de violência, como implicâncias, pequenas agressões físicas ou discriminações sutis, vêm sendo estudadas há mais de duas décadas por autores como Debarbioux, além do dano que causam, elas representam um obstáculo intransponível para o tradicional método reativo-punitivo, tendo em vista não se enquadram nos conceitos de infração normalmente utilizados pelos departamentos disciplinares. Com a insuficiência do sistema clássico de punições aos alunos desviantes, impõe-se a opção por uma abordagem preventiva, que busque compreender os motivos por trás do comportamento violento.
Por essa perspectiva, fica evidente a importância de de contemplar o questão da violência maneira sistémica, para compreende-la e combatê-la é preciso ir além ambiente escolar e contemplar, também as ralações domésticas dos alunos. Em grande parte dos incidentes, o comportamento belicoso nada mais é do que um reflexo do “modus operandi” introjetado dentro de casa. Depois de anos observando conflitos familiares serem resolvidos por meio da violência, não causa nenhuma surpresa que o jovem venha a utilizar-se dos mesmos mecanismos para lidar com suas demais relações. Nessas circunstâncias, uma mera contenção do comportamento violento durante o período escolar, seria o equivalente ao tratamento paliativo de um sintoma, enquanto ignora-se o mal subjacente.
Em suma, verifica-se a necessidade de aborda-se a violência escolar dentro de seu contexto. Um programa de assistência psicopedagógica, na modalidade constelatória e com vies preventivo, implementado pelo departamento psicopedagógico de escolar públicas e particulares, a partir de diretrizes a serem estabelecidas pelo Ministério da Educação, seria capaz de enfrentar a violência antes mesmo que ela se manifeste. Ao ampliar-se o escopo e abordar a questão da violência como um todo, verificar-se-á resultados positivos dentro e fora da escola.