O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar
Enviada em 25/01/2020
Desrespeito aos professores, “bullying”, agressões e atos hediondos, como os assassinatos de educadores e alunos - a tiros e golpes de machado - na Escola Rui Brasil, em Santo André, no ano de 2019. Essas formas de mau comportamento e agressividade crescente de alunos no ambiente escolar resultam do descaso crônico de governos e sociedade para com a formação dos jovens cidadãos brasileiros. Diante disso, faz-se premente discutir causas e consequências desse cenário, bem como propor soluções para esse problema que aflige a educação no país.
A princípio, cabe ressaltar que poder público e sociedade têm negligenciado a formação educacional no Brasil. Exemplos da má gestão pública são os baixos salários pagos aos professores do ensino fundamental, as turmas superlotadas e a falta de segurança nas escolas. Por sua vez, a sociedade falha devido à baixa participação das famílias na vida escolar. Tal comportamento é típico da “sociedade líquida” contemporânea - assim definida pelo sociólogo polonês Zygmunt Baumann -, a qual se caracteriza pelo individualismo e pela superficialidade das relações humanas. Nesse contexto, recai sobre os professores a tarefa de formar intelectual, moral e comportamentalmente os alunos, sob más condições de trabalho e sem o essencial apoio dos pais ou responsáveis.
Consequentemente, observa-se uma escalada de desrespeito e violência entre os alunos brasileiros, tornando ainda mais difícil a atuação dos educadores. Desse modo, a má qualidade da formação dos jovens propicia um ambiente escolar de desordem social. Esse quadro corrobora a teoria do pensador inglês Thomas Hobbes - em sua obra “O Leviatã” - de que, fora das regras sociais, emerge a agressividade entre as pessoas. Esse fato evidencia-se em pesquisa do IBGE, a qual mostra que 27% dos alunos afirmam terem tomado parte, como vítimas ou agressores, em casos de “bullying” ou intimidação em escolas brasileiras.
Diante do exposto, para barrar a escalada do mau comportamento e da agressividade entre os educandos brasileiros, urge que o Ministério da Educação, em parceria com os governos estaduais e municipais, promova a participação ativa da sociedade civil em todas as escolas do país, por meio da formação de um “Núcleo de Apoio aos Docentes e Prevenção à Violência Escolar” para cada instituição de ensino fundamental - o qual deverá ser composto por alunos e seus familiares e representantes do governo municipal, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e da Polícia Civil -, fazendo com que a comunidade passe a atuar ativamente, junto dos professores, na formação dos jovens cidadãos. Dessa forma, será possível reverter a tendência ao abandono da “sociedade líquida " de Baumann e evitar a barbárie da desordem social, descrita por Hobbes, entre os alunos do Brasil.