O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar
Enviada em 03/02/2020
Observa-se que na na obra Laranja Mecânica, Anthony Burgess retrata uma sociedade na qual a violência - praticada, principalmente, por jovens- faz parte do cotidiano dos cidadãos. Nesse contexto, é mister destacar que semelhante ao ambiente descrito por Burgess, na atualidade brasileira, a violência entre os jovens está em crescimento e permeia a sociedade de maneira tão brutal que consegue atingir locais como a escola. Sob esse aspecto, considera-se que tal barbárie se manifesta no ambiente escolar, sobretudo, por meio do mau comportamento e da agressividade, sendo esses ocasionados pela naturalização da violência e também por falhas educacionais estabelecidas na primeira infância.
Em primeira análise, vale ressaltar que a normalização de atos violentos no cotidiano dos alunos serve de canal para levar a violência para as escolas. Consoante o sociólogo Renato Sérgio de Lima - diretor presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública-, o Brasil é formado por uma população que cultua a violência, o que abre caminhos para que a Indústria Cultural, por intermédio da mídia, a transforme em um espetáculo visando, dessa maneira, normalizá-la entre os indivíduos. Dessa forma, acredita-se que os jovens são sobrecarregados pela mídia e acabam por reproduzir, nas escolas, o comportamento violento que lhes é transmitido e considerado natural.
De outra parte, é notório salientar que na obra Emílio, disserta Jean Jacques Rousseau - iluminista francês- que é fundamental que os pilares educacionais dos cidadãos sejam construídos ainda na primeira infância. Contudo, é visto que de acordo com Cortella a família - primeiro meio de socialização da criança- tem sido negligente perante à educação das crianças o que dificulta a implementação da tese defendida por Rousseau. Nesse sentido, considera-se que ao negligenciar a educação infantil, a família abre portas para que ações midiáticas, promovidas pela Industria Cultural, cheguem até as crianças e as moldem tendo como base ideologias que exaltam a violência; sendo essas, futuramente, compartilhadas na escola, provocando, assim, o aumento da agressividade e do mau comportamento.
Urge, pois, que escola, família e Estado estabeleçam formas para mitigar o aumento da violência nas escolas. Desse modo, família e Estado- por intermédio da pasta da cultura- devem amenizar os efeitos que a mídia exerce sobre o jovem, por meio do controle parental e do estabelecimento de leis que regulem de forma mais eficaz a classificação indicativa de produtos que exaltem a violência, a fim de que o comportamento violento deixe de ser tido como natural. Ademais, escola e família devem trabalhar em parceria para fortalecer a educação infantil, através de oficinas com profissionais capacitados -psicólogos, psicopedagogos,- que possam ensinar métodos pera apaziguar os efeitos das ideologias transmitidas pela mídia e da violência nas escolas. Com tais medidas, fato será amenizado.