O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar
Enviada em 01/03/2020
Desde a Revolução Francesa até a primeira metade do século XX, toda a estrutura escolar era regida pelo ideal burguês de disciplina e autoridade. Entretanto, com o advento das novas formas de educação e a flexibilização do modelo antigo, dentre diversos ganhos, houve também algumas perdas, de maneira especial relacionadas as crescentes atitudes displicentes dos colegiais, causadas por vários fatores, sendo alguns deles a ineficiência da supervisão do ambiente pelos pedagogos e a própria desigualdade social.
A priori, a incapacidade de se estabelecer um monitoramento eficaz das relações interpessoais dos alunos já é um problema crônico, como visto no filme “Bang, Bang, Você Morreu”, em que Trevor, o protagonista, após uma sucessiva sujeição à práticas violentas, tomadas como brincadeiras e não percebidas pelos profissionais da educação, torna-se agressivo e de péssimo comportamento. Analogamente, tal situação é tratada como normal e ignorada pelos responsáveis em diversos colégios brasileiros, contribuindo, assim, para a acumulação de raiva naqueles que as sofrem, manifestando-a da maneira como podem, geralmente na forma de hostilidade e rebeldia.
A posteriori, o próprio panorama social brasileiro tem uma função de socialização primária na qual o indivíduo é preparado para desacatar qualquer forma de autoridade, a exemplo dos professores, fato esse comprovado pela OCDE, que mostra o Brasil como líder no ranking de violência contra os lecionadores. Isso ocorre principalmente nas camadas menos privilegiadas da população, em que crianças possuem uma propensão maior a se aliciarem à marginalidade e ao uso da violência, devido ao constante convívio com criminosos, tomando-os como exemplos a serem seguidos.
É necessário, dessarte, que essa situação crítica seja revertida, cabendo ao governo elaborar palestras feitas por psicólogos que alertem sobre as consequências do bullying no estado mental do ser humano, e como colegas e professores devem agir nesses casos, além de procurar a melhora da condição de vida da população menos abastada, por meio de grandes investimentos em infraestrutura, garantindo dignidade a toda pessoa para que, assim, o comportamento atípico e a agressividade estudantil possam ser problemas relacionados ao passado.