O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar

Enviada em 10/03/2020

A série americana “13 Reasons Why” (os treze porquês) polemizou em 2017 por retratar os diversos motivos que a adolescente Hannah Baker se suicidou, após ter sido agredida verbal e fisicamente, estuprada, isolada e humilhada publicamente, vítima da perversidade juvenil. Paralelamente, a realidade não é muito distante da ficção, tendo em vista que o mau comportamento e a agressividade crescente de discentes nas escolas é fruto, principalmente, da ausência de educação familiar e de políticas públicas.

O problema está no fato de os pais acreditarem que a única responsável pela educação dos próprios filhos é a escola. Nesse contexto, insere-se a frase do egrégio matemático Pitágoras, quando afirmou “eduquem as crianças e não será necessário castigar os homens”. Além disso, tal argumento é sustentado na teoria da tábula rasa de John Locke, cuja essência é fixada no ideário de que o ser humano é uma folha em branca que pode ser preenchida com conhecimento e experiência ao passar do tempo. Ou seja, se os jovens da atualidade forem devidamente instruídos a educarem as crianças do futuro, seguindo o princípio da igualdade e respeito para com o próximo, sem distinção de raça, sexo, gênero, religiosidade ou aparência física, a realidade certamente não seria a experienciada hoje.

Contudo, apesar da importância dos responsáveis na formação dos jovens, as instituições de ensino também têm o papel de orientar. Isso se justifica pelos dados pavorosos divulgados pelo IBGE, em 2015, quando foi descoberto que mais de 7% dos estudantes já sofreram algum tipo de bullying e quase 20% já expôs outro colega a uma situação vexatória. Um exemplo de extremo mau gosto que representa tais dados foi a “brincadeira da rasteira” ou do “quebra-crânio” que “viralizou” em fevereiro de 2020, por meio de um youtuber, e foi amplamente reproduzida nos colégios – tanto, que levou até ao óbito de uma garota de 13 anos no nordeste. Assim, é preciso impedir que casos similares aconteçam.

Diante do mencionado, é notória a necessidade de se implementar medidas que alterem esse cenário. Logo, primeiramente, cabe ao Ministério da Educação fazer valer o direito social da educação, presente no art. 6º da Constituição Cidadã, através da capacitação dos docentes e da adição na Base Nacional Comum Curricular de aulas e palestras pautadas no respeito e diversidade sociocultural de maneira a formar bons cidadãos, sem tendências agressivas. Ademais, uma parceria desse órgão com o Ministério da Saúde é essencial no intuito de introduzir psicólogos e/ou outros profissionais de saúde nas escolas, universidades e demais instituições de ensino, de maneira que se faça o acompanhamento psicológico essencial na vida de qualquer adolescente, para que entendam os impactos que suas ações podem causar e, assim, evitar que outras Hanna Baker percam a vida.