O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar
Enviada em 14/03/2020
N a longa-metragem norte-americana “Escritores da Liberdade”, é evidenciado, pela perspectiva da recém-formada professora Erin, um panorama de agressão e forte inimizade entre os alunos no ambiente escolar. Assustada, ela decide incentivá-los a escrever um diário de suas vidas. No final do ano letivo, foram entregues todos os diários, e, assim, ela percebeu que o passado familiar de seus alunos era a principal razão para tanto caos. Analogamente ao filme, no atual cenário escolar brasileiro, percebe-se um grave quadro de mau comportamento e violência, o qual se consolida, importunamente, pela ineficácia da família na educação, que incita a instabilidade nas salas de aula.
Cabe ressaltar, em primeiro plano, que a tênue ação familiar no âmbito da educação comportamental é o pontapé da problemática. Assim como teoriza John Locke, por meio da “tábula rasa”, o homem é resultado de suas experiências, isto é, de tudo aquilo que viveu. Logo, se a família é ausente e ineficaz, no que concerne à educação comportamental precoce, o indivíduo crescerá sem a capacidade de discernir que a escola deve ser um espaço de socialização, respeito e amizade, o que intensifica, potencialmente, o mau comportamento. Nesse sentido, torna-se imperiosa uma mudança por parte dessa instituição social a fim de dissolver o problema.
Por conseguinte, enquanto essa conjuntura perdurar, o quadro evidenciado promove a instabilidade no ambiente de ensino. Evidência disso são dados divulgados, em 2018, pelo Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais (INEP), os quais mostram que, em média, 88%¨dos educadores de escolas públicas já sofreram casos perturbadores de agressão e desrespeito em sala de aula. Desse modo, se nem os responsáveis por transmitir o conhecimento estão aptos a trabalhar, o ambiente escolar torna-se, infelizmente, caótico, e o professor é posto como vítima.
Infere-se, portanto, visto a tempestividade da problemática, que compete às famílias brasileiras o dever de, por meio do diálogo amigável, ensinar a seus filhos como devem se comportar perante professores no ambiente escolar: de maneira respeitosa e digna, a fim de atenuar casos de indisciplina por parte dos alunos. Com objetivo semelhante, o Governo pode, ainda, criar políticas públicas que protejam e amparem os educadores, destarte, observar-se-iam escolas livres do que foi mostrado em “Escritores da Liberdade”, de forma a alterar a posição de vítima, do professor, para os verdadeiros responsáveis pela mudança na vida dos adolescentes.