O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar
Enviada em 20/03/2020
Há bastante tempo multiplicam-se as notícias de alunos que agridem professores e colegas no ambiente escolar. No ano 1994, em Nova York, o jornal “La Republica”, assim se interroga na primeira página: “Por que os estudantes agridem e, às vezes, matam?” A pergunta continua devastadora, a resposta segue banal: eles agridem e matam quando nenhum outro rito de iniciação, de afeto ou de experiência boa (na escola ou na família) acontece. É imperativo, então, que a sociedade se mobilize para corrigir essa realidade doentia.
Por um lado, os psicólogos sociais acreditam que a agressividade é uma resposta a uma situação geradora de frustração, tais como desestruturação familiar, afetividade pobre ou excesso de permissividade. Por outro lado, a psicanálise defende a ideia da existência de uma base biológica para esse comportamento. Assim, seria plausível compreender a agressividade nas escolas como o disparo de um gatilho biológico que desoculta uma profunda frustração vivida no cotidiano.
Outrossim, o psiquiatra Donald Winnicott, na obra “Privação e Delinquência”, reforça a ideia de que ela seria a manifestação de bloqueios no desenvolvimento da personalidade. E, que seria, de alguma forma, um pedido de ajuda. Nesse sentido, a escola se torna um ambiente propício à ação da agressividade. Ainda mais, quando falta continência em casa.
Destarte, torna-se imprescindível a atuação dos Conselhos Escolares, que devem se tornar fóruns permanentes de debate sobre o problema, envolvendo pais, alunos e mestres, definindo e cobrando a responsabilidade de cada um desses atores. A Escola ensina. Os pais, definem limites. Os alunos reconhecem que, dentre os direitos fundamentais deles, está o de receber limites. Da mesma forma, cabe aos Conselhos Escolares acionar os Conselhos Tutelares para aplicação de penas de ressocialização aos alunos agressores renitentes. Assim, com lições e ações de cidadania, inibe-se a agressividade e o mau comportamento e garante-se às futuras gerações uma cultura de paz.