O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar
Enviada em 16/03/2020
No dia 13 de março de 2019, um crime bárbaro cometido por uma dupla de ex-alunos em uma escola em Suzano, interior paulista, chamou atenção para o aumento de casos de violência escolar. Constantemente, os meios de comunicação noticiam problemas de violência envolvendo alunos e educadores. Esses problemas, para serem solucionados, devem ter analisadas as suas causas e consequências de forma criteriosa. Tal análise, deve ser aplicada também em soluções “milagrosas”, como a proposta do Ministério da Educação de implementação de escolas cívico-militares.
Assim, uma pesquisa realizada em 2013 pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) apontou que o Brasil lidera o ranking de violência nas escolas. Dentre as causas para consolidação dessa situação tem-se a atual desconfiguração da autoridade no âmbito familiar. O que resulta na denominada “Síndrome do Imperador”, que é apresentada no livro “Síndrome do Imperador: entendendo a mente das Crianças Mandonas e Autoritárias”, da psicóloga Lilian Zolet, a qual é configurada pelo controle das crianças sobre os adultos a fim de ter suas vontades satisfeitas, e esse tipo de atitude acaba refletindo em sala de aula. Outrossim, há a crescente desvalorização da educação e do professor na sociedade brasileira. Consequentemente, é possível observar o enfraquecimento da relação aluno-educador, falhas no processo de ensino e os reflexos da convivência agressiva e indisciplinar em outros ambientes sociais.
Haja vista a situação precária na qual se encontra a educação no Brasil, os simpatizantes do militarismo clamam pela implantação das escolas cívico-militares na justificativa de buscar mais segurança para o ambiente escolar. Segundo a proposta, serão implantadas 216 escolas até 2023 e os militares da reserva atuarão no apoio à gestão escolar e à gestão educacional. No entanto, analisando rigorosamente o modelo proposto, não verifica-se a oferta de formação pedagógica a esses militares, não dispondo, portanto, da base para atuar na educação, e tornando o ambiente autoritário.
Em suma, é de extrema importância que ações sejam tomadas a fim de controlar a violência na escola. Para tanto, o MEC poderia ofertar por meio de plataformas digitais e gratuitas cursos de autoria de psicólogos orientando sobre a maneira que os professores devem agir em caso de agressividade e indisciplina em sala de aula. Por sua vez, os educadores, juntamente com a coordenação pedagógica, poderiam implantar um regime escolar com regras amplamente divulgadas ao discentes, e um sistema de correção que visasse o trabalho voluntário na escola. Os professores e a educação merecem respeito devido ao grande papel social que desempenham, pois como já dizia Immanuel Kant: “O homem não é nada além daquilo que a educação faz dele”.