O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar

Enviada em 07/04/2020

Desde o Iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa a questão da violência nas escolas do Brasil, verifica-se que esse ideal iluminista é constatado na teoria e não desejavelmente na prática e a problemática persiste intrisecamente ligada à realidade do país. Nesse contexto, essas ações de mobilização, que deveriam advir tanto do governo quanto da comunidade junto aos colégios possuem lenta efetivação, reafirmando a exclusão social e a violência que a acompanha.

Em primeira análise, crianças que presenciam ou sofrem situações de agressão tendem à reproduzi-las no ambiente escolar, tornando-se imprescindível, então, que esse seja um local acolhedor e transformador de realidades. Contudo, a falta de medidas governamentais, como a disponibilização de verbas para uso social nas instituições de ensino, impossibilitam essa função sociocultural. Nesse viés, apesar de programas, como o Bolsa Família, apresentarem como critério do benefício que os jovens frequentem a escola, não há o acompanhamento psicológico das famílias e dos alunos, por exemplo, que permita a denúncia ao Conselho Tutelar de possíveis casos de violência doméstica a serem constatados, o que evidencia a morosidade do Estado na educação inclusiva.

Outra análise recai sobre o desvio de responsabilidade que a comunidade atribui à escola, ao esperar que o instituto atue sozinho na educação dos filhos. Esse cenário é consequência, ainda, da inexistência de participatividade entre família e e instituição escolar, que decorre da não percepção da escola como patrimônio público onde a promoção de atividades de desponto, palestras e acompanhamento é primordial para uma relação saudável entre docentes, alunos e pais. Para tanto, a implementação dos conselhos escolares, que permitem essa intermediação ao contar com representantes do grupo familiar, professores e estudantes organizando debates e resolução de problemas, efetivam a dissolução de cenários de violência dentro e fora dos colégios.

Em suma, o mau comportamento e a agressividade dos alunos nas escolas no Brasil é preocupante. Dessa forma, o Ministério da Educação, utilizando a verba pública destinada à educação, deve contratar psicólogos com experiência em casos infanto juvenis e familiares para que realizem visitas periódicas nas escolas, consultando menores infratores e suas famílias, e encaminhando pareceres ao Conselho Tutelar quando denúncias fizerem-se necessárias. Ademais, o Governo deve promover uma campanha televisiva apresentando exemplos de escolas inclusivas, que circule nos canais abertos em horário nobre, incentivando a comunidade à acompanhar o calendário escolar. Com essas medidas tomadas, o comportamento dos alunos melhorará e o ambiente escolar será mais harmônico.