O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar
Enviada em 07/04/2020
Em uma equação matemática, os dois lados da igualdade precisam ser proporcionais: se um lado aumenta, o outro precisa aumentar na mesma proporção. De forma análoga, pode-se afirmar que o mau comportamento e a crescente agressividade nos ambientes escolares contribuem para a perpetuação da cultura do bullying e da violência de um modo geral, evidenciando uma proporcionalidade entre esses fatores. Sendo assim, é fato que as relações agressivas entre os próprios alunos, somada à violência contra os profissionais da educação são consequências de hábitos negativos que afetam diretamente a vida dos envolvidos.
A série de televisão americana “13 reasons why”, retrata, entre outras, a história de um menino que sofreu bullying e planejou um ataque armado à escola no dia da formatura. Nesse âmbito, é inegável que ataques violentos podem ser incentivados por acontecimentos diários recorrentes nas instituições de ensino, como a agressividade de alguns alunos com outros. Com isso, é possível afirmar que o bullying é um fator que potencializa reações negativas no desenvolvimento do estudante como cidadão, afetando o emocional deste. Exemplo disso é o caso da escola estadual Raul Brasil, em Suzano (SP), que foi atacada em março de 2019 por dois antigos estudantes revoltados por causa de situações de bullying vividas por eles no passado, as quais não foram devidamente acompanhadas e resolvidas.
Na obra “O leviatã”, de Thomas Hobbes, o estado de natureza, segundo o autor, seria a ausência de regras em uma sociedade, a qual viveria em uma situação constante de “guerra de todos contra todos”, sem a presença de um contrato social que estabeleceria normas em prol da segurança da população. Analogamente, pode-se dizer que as regras do ambiente escolar nem sempre são devidamente respeitadas, gerando um cenário de tenuidade entre a segurança de todos e a presença da violência, verbal ou física, nesse local. De acordo com a pesquisa realizada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil lidera o ranking de agressão contra docentes, com cerca de 12,5% dos professores recebendo intimidações ou ameaças de alunos pelo menos uma vez na semana, evidenciando a gravidade da situação vivida pelos profissionais da educação.
Portanto, é fato que o bullying e as relações agressivas contra docentes incentivam a perpetuação da cultura do mau comportamento e agressividade dentro do ambiente escolar. Desse modo, medidas para minimizar essa problemática precisam ser tomadas, tais como a inserção de psicólogos especializados promovida pelas escolas, a fim de tratar os efeitos causados pelo bullying, por meio de terapias semanais. Além disso, é importante que haja a incorporação de debates entre alunos e professores acerca da violência e suas consequências dentro da escola, para esclarecer esse assunto.