O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar

Enviada em 07/04/2020

O vídeo que mostra um aluno de Belo Horizonte arremessando uma lixeira contra seu professor, após ser repreendido por mau comportamento, repercutiu em 2019. A falta de respeito ao docente e sua consequente perda de autoridade representa uma realidade do século XXI. Assim, a escola passa a ser um ambiente perigoso, com a situação de crescente violência física e simbólica, o que prejudica a atmosfera escolar e a plena formação social dos estudantes.

A educação familiar mostra-se como importante fator para a construção do respeito ao próximo da consciência do seguimento de regras. Citando o filósofo Immanuel Kant, ao afirmar que o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele, reforça-se a responsabilidade na orientação e no direcionamento dos filhos quanto ao seu comportamento. No entanto, a inversão desse papel com a instituição de ensino sobrecarrega os profissionais, o que leva à posição de 1º lugar do Brasil no ranking de violência contra professores em 2017, segundo dados do G1. Dessa forma, o distanciamento entre escola e família dificulta a ação de medidas corretivas, a exemplo do caso em Pernambuco, em que uma professora foi agredida pelo pai de uma aluna por não concordar com a repreensão recebida pela filha.

Nesse sentido, a agressão verbal que, segundo o IBGE, já foi vivenciada por 47% dos jovens, é capaz de deixar marcas negativas vitalícias na memória do agredido. Pertinente a isso, é importante que a supervisão escolar reforce as regras de convivência e delimite punições para as infrações cometidas, priorizando sempre a socialização saudável do aluno, já que o castigo como correção não é efetivo para a verdadeira sensibilização. Dessa forma, o projeto de militarização dos colégios, promovido pelo governo, cria um ambiente de medo e ameaça, em vez de propiciar respeito em sala de aula, já que há um enfrentamento direto, o que motiva revoltas e dificulta a cumplicidade interpessoal.

Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigar a agressividade do corpo discente. Desse modo, a escola deve promover a aproximação com a família, por meio de ações socioeducativas, como o incentivo à reuniões e debates que visem estabelecer um vínculo para o acompanhamento de cada aluno. Além disso, o Ministério da Educação deve garantir o relacionamento respeitoso em ambiente escolar, por meio da adoção de práticas socializadoras, como auxiliar o professor a ministrar uma classe de alunos menores, por exemplo, para despertar a percepção da importância do cumprimento de normas na vida em sociedade.