O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar
Enviada em 07/04/2020
Em março de 2019, em Suzano, a Escola Estadual Professor Raul Brasil sofreu um tiroteio por dois ex-alunos, os quais se mataram logo em seguida. Após investigações das autoridades, veio à tona um passado um tanto quanto conturbado de um dos assassinos, que possuía diversos comportamentos agressivos. Dessa maneira, é coerente afirmar que esses comportamentos hostis, agravados pela falta de uma educação socioemocional nas escolas e pela cultura punitiva existente no Brasil, precisam ser combatidos, evitando, assim, não apenas situações extremas como a de Suzano, mas violências no cotidiano das instituições de ensino.
Em primeiro lugar, é necessário ressaltar a falta de habilidades socioemocionais nos alunos, o que se deve, em especial, à ausência de uma educação que vise à melhor resolução de conflitos e ao diálogo como forma de expressar seus sentimentos. A título de exemplo, na Grécia Antiga, a educação ateniense tinha como foco a formação das virtudes em seus alunos, que na vida adulta deveriam utilizar o diálogo para a boa administração da pólis. Nessa mesma ótica, o Brasil, que possui o Bullying como uma violência simbólica hodierna nas escolas, precisa de alternativas para o combate à agressividade, o qual será eficaz somente com a construção de uma inteligência emocional nos alunos.
Ademais, é possível perceber uma tendência à cultura punitiva no país como um todo, o que fica evidente, por exemplo, na tentativa de implementação, pelo atual Presidente da República, de um modelo cívico-militar de educação. Porém, esse modelo representa um retrocesso ao passo em que negligencia a educação como uma ferramenta de crescimento emocional, superestimando métodos punitivos. Analogamente, ainda na Grécia, os espartanos eram vistos como brutos e intelectualmente inferiores pelos atenienses, pois tinham uma educação quase que exclusivamente militarista e punitiva. Nesse sentido, é substancial que as escolas brasileiras, ao invés de adotar modelos militares, optem por um ensino que valorize o psicológico de seus alunos.
É mister, portanto, que os órgãos competentes tomem medidas para atenuar essa problemática. Destarte, seguindo a premissa de que não se deve adotar o modelo cívico-militar de educação, o Governo, em parceria com o Ministério da Educação, deve, por meio da Base Nacional Comum Curricular, estabelecer disciplinas que trabalhem o lado socioemocional dos alunos, adotando projetos semelhantes, por exemplo, ao “Programa Semente” e ao “Laboratório de Inteligência de Vida”, os quais incluem atividades lúdicas que têm como objetivo a inteligência emocional. Dessa forma, é esperado que o ensino brasileiro se aproxime dos ideais atenienses de educação, em detrimento dos ideais dos persas, possuindo alunos, então, com a capacidade de resolução de conflitos pelo diálogo.