O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar

Enviada em 07/04/2020

Ocorrido em 2011, o Massacre Escolar de Realengo foi o mais grave do Brasil, no qual 12 pessoas morreram; o autor do atentado era ex-aluno da instituição e sofria bullying. Além desse caso, outros também se tornaram conhecidos, fato o qual explicita que o mau comportamento e a agressividade dos alunos no ambiente escolar é crescente. Entre as principais causas da ascensão dos índices desses problemas, pode-se destacar os reflexos da violência doméstica e a pressão por aprovação nos vestibulares.

Após o início do isolamento social decorrente da pandemia da COVID-19, a Rede Globo de Televisão reportou um aumento de 50% no índice de violência doméstica no estado do Rio de Janeiro. Ao passo em que tal número aumenta vertiginosamente, a carga emocional dos estudantes que vivenciam essa realidade também cresce, o que irá causar um maior nível de estresse nessas pessoas. Decorrente da sensação de não haver o que fazer para combater tal situação, esse estresse irá, possivelmente, se transformar em ações indevidas no dia-a-dia, e, pela frequência escolar ser rotineira, esses atos possuem uma grande chance de ocorrer no ambiente escolar na forma de violência.

Ademais, a pressão pela aprovação no vestibular também pode influenciar no mau comportamento e na violência no ambiente escolar. Além da exaustiva quantidade de aulas, tal necessidade de obtenção dos resultados esperados influencia negativamente na saúde mental dos estudantes, o que pode resultar em ansiedade e depressão, doenças as quais afetam cerca de 40% dos brasileiros, de acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A partir do momento em que os alunos sofrem dessas enfermidades, eles se tornam mais sucetíveis a praticar a violência psicológica contra outras pessoas, a fim de se defender e diminuir as expectativas sobre os mesmos.

Diante do fato de que a violência doméstica e a pressão por aprovações influenciam no mau comportamento e nos números de violência no ambiente escolar, é necessário que que o Ministério da Mulher, Família e dos Direitos Humanos crie uma central de denúncias à violência doméstica para diminuir sua ocorrência. É necessário também que, nessas centrais, profissionais da área de saúde mental estejam disponíveis para conversarem com os autores da denúncia a fim de que traumas não sejam criados. Além disso, é de suma importância que o Ministério da Educação torne obrigatória a presença de psicólogos nos ambientes escolares, a fim de esses profissionais diagnostiquem os alunos que sofrem com enfermidades mentais e possam prestar assistência a eles, a fim de diminuir a violência psicológica nesses locais.