O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar
Enviada em 30/03/2020
O livro “Extraordinário” discorre sobre a história de Auggie Pullman, um garoto que nasceu com uma deformidade facial e tem que enfrentar o obstáculo de ser aceito em uma sociedade na qual a intolerância e a discriminação pela aparência estão enraizadas. Fora da ficção, é fato que, de maneira análoga no século XXI, a violência escolar - seja ela física ou psicológica - constitui uma problemática presente no Brasil, ora por falta de instrução dos pais, ora por ignorância dos jovens. Dessa forma, é fulcral avaliar o papel dos hábitos familiares, bem como o da existência de uma ideologia opressora no agravamento dessa questão.
É profícuo salientar, em primeira análise, que a família, como meio de socialização primária, é responsável pela exposição de valores e de costumes, atuando de forma intrínseca na formação educacional e comportamental dos jovens. Tal fenômeno é ratificado pelo historiador brasileiro Alfredo Bosi, o qual esclarece que a cultura é passada de geração a geração na esfera familiar. Diante do supracitado, percebe-se que, a partir do momento em que os hábitos moralmente incorretos - tais como a intolerância e a discriminação - são exteriorizados por parte dessa instituição, uma mentalidade intolerante pode ser fomentada nos filhos, promovendo os episódios de agressividade dos alunos.
Outro ponto relevante, nessa temática, relaciona-se ao conceito de Banalidade do Mal, que foi proposto pela filósofa alemã Hannah Arendt e evidencia que, em determinadas circunstâncias, os indivíduos podem ser influenciados e condicionados às ações irracionais. Nessa perspectiva, denota-se que a ideologia opressora existente na esfera escolar constitui um fator inerente à propagação de discursos de ódio e de ações violentas nesse ambiente de socialização secundária, uma vez que os alunos com mentalidade intolerante tendem a negligenciar as consequências de seus atos. Assim, a violência nas escolas é perpetuada, impactando diretamente na aprendizagem e no bem-estar dos alunos afetados por essa opressão.
Em suma, observa-se que tanto os costumes das famílias quanto a influência do pensamento opressor contribuem para esse problema. Posto isso, com o intuito de consolidar uma mentalidade intolerante e empática nos jovens, urge que o Ministério da Educação, por meio de subsídios governamentais, crie campanhas nas escolas e nas redes sociais que explicitem os efeitos da violência escolar na formação educacional de qualidade dos alunos, dando ênfase ao papel dos hábitos familiares no comportamento desses indivíduos e promovendo debates e seminários que incluam pais e professores acerca desse tema. Somente assim, poder-se-á combater a ideologia opressora evidenciada por Hannah Arendt, criando um cenário favorável à aprendizagem do corpo discente.