O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar

Enviada em 15/04/2020

Segundo o neurologista austríaco Sigmund Freud, considerado pai da psicanálise, a infância é determinante na formação da identidade e dos comportamentos dos indivíduos posteriormente. Logo, a escola exerce um papel fundamental no que tange ao desenvolvimento intelectual e à introdução dos jovens à vida em sociedade. No entanto, a manutenção de modelos de ensino antiquados e a banalização da violência nas escolas resultam em crescentes problemas na educação brasileiras.

Primeiramente, tem-se que, com a crescente globalização no século XXI, a troca de informações é, cada vez mais, impulsionada pelos avanços tecnológicos. Nesse sentido, o método de ensino conteudista e medieval adotado pelas escolas brasileiras apresenta-se ultrapassado e discrepante à realidade vivida pelos estudantes fora de sala de aula, levando ao que Byung-Chul Han, filósofo sul coreano, conceituou como “sociedade do cansaço”. Desse modo, entende-se que o excesso de trabalho e desempenho cobrado pelas instituições de ensino leva os estudantes à fadiga e à exaustão, resultando na não adesão às aulas, no desinteresse e no mau comportamento no ambiente escolar por parte dos alunos.

Ademais, o conceito de “banalidade do mal”, introduzido pela filósofa alemã Hannah Arendt, no contexto da Segunda Guerra Mundial, pode ser, analogamente, aplicado ao bullying nas escolas brasileiras, em que a repetição de comportamentos violentos no ambiente escolar leva à banalização de tais atitudes. Diante disso, é importante ressaltar que a impunidade de jovens nos colégios favorece a reincidência e o aumento de casos de agressão, podendo apresentar-se física, verbal ou psicologicamente. Assim, pode-se afirmar que essa situação pode ocasionar em transtornos de  ansiedade, depressão e traumas na vida adulta, o que evidencia as sérias consequências da agressão sofrida pelos estudantes em seu desenvolvimento.

Infere-se, portanto, que é imprescindível a adoção de medidas para a diminuição do mau comporta- mento e agressividade nas escolas. Com essa finalidade, o Ministério da Educação, cumprindo com sua função social de zelar pela educação de qualidade a todos, deve promover mudanças no antiquado modelo de ensino, a partir da adaptação das escolas a uma realidade mais próxima à dos alunos. Isso ocorrerá por meio da maior utilização da tecnologia como forma de aprendizado e do foco na aplicação do conteúdo no cotidiano dos alunos. Além disso, as escolas, em parceria com as famílias, devem estipular limites mais rígidos contra agressões no ambiente escolar, punindo os infratores e conscientizando os alunos sobre a seriedade da problemática. O conjunto dessas ações garantirá, por fim, a reversão do cenário dos crescentes bullying e mau comportamento em sala de aula.