O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar

Enviada em 03/04/2020

Com base nos estudos do filósofo francês Émile Durkheim, a agressividade no ambiente educacional se configura como um fato social, pois não afeta só o indivíduo, mas também o meio em que se encontra. Nesse sentido, percebe-se, no Brasil, a necessidade de medidas para combater o mau comportamento e a violência nas escolas, uma vez que a negligência dos pais e a falta de políticas de acompanhamento escolar são entraves que contribui para a proliferação dessa questão.

Evidencia-se, a princípio, que a falta de participação ativa dos pais, na vida estudantil das crianças, podem induzir a mudanças na personalidade. Nessa perspectiva, segundo o jornal Estadão, apenas 12% dos pais brasileiros são comprometidos com a educação dos seus filhos. Isso ocorre, principalmente, devido ao sistema capitalista interferir nas relações interpessoais, em que a obtenção de lucro é mais importante do que a formação de conduta e de moral da sua prole nas escolas. Além disso, essa falta de sentimento afetivo e de diálogo entre os membros familiares estimulam o desenvolvimento da postura agressiva dos indivíduos, no âmbito de ensino, como forma de aliviarem as tensões, o abandono e a impotência vivenciados no lar. Em decorrência disso, essa prática pode estimular atos violentos como, o  ‘‘bullying’’ , a agressão e a morte das pessoas.

Ademais, a falta de políticas de acompanhamento escolar intensificam essa problemática. Nesse contexto, de acordo com Michel de Montaigne, uma das mais honrosas ocupações é servir ao público e ser útil às pessoas. Com isso, é perceptível que há falha governamental  em cumprir assiduamente sua função de tornar melhor a vida em comunidade, visto que a insuficiência de projetos de monitoração da postura dos estudantes interferem na obtenção de uma educação eficiente. De modo que, essa lacuna podem estimular comportamentos hostis desse grupo nas escolas, por não conseguir lidar com os conflitos externos ou os traumas vivenciados, transmitindo, muitas vezes, sua indignação na forma de violência para aliviar as pressões dentro de si. Em decorrência disso, essa situação pode prejudicar o aprendizado e a formação do indivíduo tanto pessoal,como profissional em relação ao meio social.

Fica claro, portanto, que a negligência familiar e à falta de políticas de acompanhamento escolar garantem resistência para resolver o impasse. Para isso, cabe à mídia desenvolver campanhas que mostrem como a participação dos pais nos assuntos estudantis, é essencial para uma boa formação moral. Aliado a isso, o Governo deve investir na contratação de psicólogos nas escolas, que devem realizar um monitoramento periódico do aprendizado e das habilidades socioemocionais dos alunos, por meio de concursos públicos nos diferentes estados brasileiros, a fim de ajudar o indivíduo a lidar com os seus problemas pessoais e, dessa forma, prevalecerá a afirmação de Michel de Montaigne.