O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar
Enviada em 06/04/2020
“Se os professores estivessem armados, e se os servidores estivessem armados, essa tragédia de Suzano teria sido evitado”. O pronunciamento do Major Olímpio por ocasião do massacre em Suzano é um discurso sempre presente quando se trata de adolescentes que, por um conflito com a lei, se transformam em notícia nacional. Entre as medidas sugeridas por parte da opinião pública catalizadora desses juizos apressssados destaca-se a intervenção militar nos espaços de ensino. Ocorre que poucas vezes atentam para as consequências da interferência da segurança pública na escola.
A intervenção militar transforma o cenário pacifico das escolas em um ambiente sempre sujeito à violências de níveis suscetíveis à intervenção dos aparelhos repressores do estado: polícia e justiça. É inegável a violência nas instituições de ensino. De acordo com a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil registra maior numero de violência nas escolas. Embora inegável, tal situação deve ser mitigada, pois, a maior parte dos conflitos são resolvidos com a aplicação de alguma medida disciplinar. Sendo desnecessária a participação militar.
E mais, esperando um aluno que se enquadre nas medidas adotadas, agressivo, incontrolável por parte da escola, corre-se o risco de coibir o protagonismo dos demais estudantes. Segundo Antônio Costa Gomes, criador do conceito, Protagonismo Juvenil, o bom educador ensina aos alunos a sair da passividade e alcançar níveis mais elevados de participação e envolvimento, ou seja, cria as condições para que a sua atuação seja minima. Não se percebe, aqui, o lugar da repressão e do armamento, que não seja por meio de argumentos.
Além do mais, um ambiente instável favorece a formação de seres instáveis, sujeitos a diversos transtornos mentais. A escolha, militare na educação, recai sobre sujeitos não requisitados, ignorando a necessidade real das escolas: profissionais habilitados a identificar transtornos mentais que poderia levar a atitudes desviantes. Nesse caso, tais atores contribuiriam para a construção do espaçõ e, consequentemente, do ser social como pensado por Emile Durkheim: um indivíduo que assimila normas e princípios que regem a conduta dos homens.
Percebe-se, portanto, que a intervenção militar permanente resulta na dissolução das condicões ideais de ensino. Para obter resultados distintos, exige-se do governo ações efetivas para a preservação da comunidade estudantil sob o controle dos funcionários da educação. Tais atuação deve conter medidas que valorizem o docente, bem como medidas que possibilite sua formação continuada, além da presença de psicólogos tanto para auxílio do professor como para atendimento do aluno. Dessa forma, cria-se as condições de ensino capaz de limitar a violência e a agresão nas escolas.