O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar
Enviada em 10/04/2020
Segundo o educador Paulo Freire, a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda. Tal pensamento corrobora para o aumento da violência no âmbito escolar, seja entre alunos, por meio do bullying, ou seja entre alunos e professores, pelo mau comportamento. Nesse contexto, sobressaem-se dois principais agravantes: a negligência e abandono dos pais ou responsáveis e a falta de assistência do Poder Público, que atribuem somente à escola o papel de educar.
Em primeira análise, a família é a base da educação, onde se aprende o que é ser ético, respeitar as diferenças de cada um e, portanto, viver em sociedade. Porém, em um dado momento histórico, a escola assumiu toda a responsabilidade de educar. Isso é traduzido numa pesquisa realizada pelo movimento “Todos pela educação”, na qual mostrou que apenas 67% dos pais acompanham a vida escolar dos filhos. Dessa forma, a ausência desse vínculo com os pais pode gerar o sentimento de rejeição e de revolta exteriorizado de forma agressiva.
Em segunda análise, o Estado tem o dever de proporcionar condições adequadas para viabilizar uma escola como centro de aprendizagem. De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente, a igualdade de condições para o acesso e a permanência na escola é um direito que deve ser assegurado pelo Poder Público. Sem isso, os estudantes podem desenvolver certa ausência de perspectiva para o futuro e sentimento de inferioridade, resultando em mau comportamento.
infere-se, portanto, que para a mitigação da violência nas escolas, o Estado, por meio da Secretaria de Educação, promulgue políticas públicas para redução da violência, assim como, a capacitação de professores e o envolvilmento da família e da comunidade, através de palestras e workshops ministrados por assistentes sociais e profissionais de outras áreas, para que haja divisão de responsabilidades entre os pais, a escola e o governo na formação ética e profissional da criança e do adolescente. Com isso, a educação não estará mais sozinha e a sociedade será transformada, como pensou Paulo Freire.