O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar
Enviada em 12/04/2020
A série televisiva “Os 13 porquês” retrata a brutalidade física e psicológica entre alunos, as quais contribuem negativamente no desenvolvimento mental da vítima. Fora da ficção, casos como esses são recorrentes no Brasil e, como resultado disso, o país ocupa o primeiro lugar no ranking de violência nas escolas segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento econômico. Dessa maneira, é premente analisar o crescimento nas agressões entre alunos e o papel da família nesses casos.
Em primeira análise, é lícito postular o crescimento do bullying. De acordo com um estudo realizado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância, cerca de 150 milhões de jovens de 13 a 15 anos já sofreram violência por parte de seus colegas. Ainda, conforme o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, os principais motivos para esse tipo de agressão são questões de etnia, ração ou características físicas. Como consequência disso, a vítima se torna mais propicia a evasão escolar e ao desenvolvimento de crises de ansiedade e depressão. Dessa forma, é notória a inaptidão em lidar com a heterogenia apresentada pelas crianças.
Outrossim, é importante salientar a influência familiar no agravamento desses episódios. Segundo o psicólogo Wanderlei Abadio de Oliveira, as crianças que praticam bullying têm histórico de más relações familiares, marcada pela falta de diálogo saudável, má relação conjugal entre os pais e, ainda, as punições físicas. Isto é, os adolescentes tendem a espelhar as atitudes presenciadas externamente dentro das escolas. Como exemplo disso, na série “Elite”, o insulto entre alunos é frequente devido às diferenças socioeconômicas, concomitantemente, os agressores apresentam relações familiares precárias no diálogo. Desse modo, é evidente a relevância do âmbito familiar na formação do ser social.
Infere-se, portanto, a necessidade de medidas aptas a fragmentar essa violência crescente nas instituições de ensino. Logo, urge que o Ministério da Educação, em conjunto com escolas, inclua a disciplina de ética e cidadania no currículo escolar dos ensinos infantil, fundamental e médio, com o intuito de desconstruir essa aversão ao diferente e disseminar o hábito de empatia. Além disso, é improtelável a importância da concepção de um lar com diálogo e respeito por parte dos responsáveis. Dessa maneira, será possível a construção de alunos distintos dos apresentados na série “Os 13 porquês”.