O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar

Enviada em 13/04/2020

Segundo Paulo Freire, filósofo brasileiro, se a educação não for libertadora, o sonho do oprimido será de ser opressor. Entretanto, infelizmente, o conceito elaborado pelo educador não é colocado em prática pela nação, uma vez que a persistente agressão contra professores e entre alunos, denominado bullying, está presente no contexto escolar - público e privado. Esse fator perpetua a violência dentro do ambiente escolar, além de impossibilitar que a educação cumpra seu papel social libertador, e contribui não só para a formação de opressores, como também para construção de hostilidade ligada aos educadores.

De fato, a questão da agressão repetitiva e intencional, ou seja, o bullying, é realidade nas escolas brasileiras e deve ser combatido. A agressão, na maioria das vezes, é causada devido à intolerância às minorias, como, à raça, à orientação sexual, ao gênero. Além disso, há também o “Peer Pressure”, termo o qual se refere à pressão exercida pelos colegas sobre um indivíduo. Consequentemente, em ambos os casos, de acordo com Freire, a vítima, em algum momento, pode se tornar o opressor, encerrando o ciclo, e, assim, contribuir para o agravamento da agressividade no meio escolar. Outrossim, pode ocorrer, a evasão escolar e a depressão da vítima, o que inibe o papel libertador do sistema educacional.

Ademais, a questão da agressão ao professor também está presente no cotidiano do estudante brasileiro. Nesse sentido, a violência pode ser física, verbal e, até mesmo, psicológica, e essa situação é estimulada, majoritariamente, pela ausência de status e respeito pelo educador. Dessa maneira, os jovens se tornam mais ousados e passam a destratar e a se impor agressivamente sobre a figura educadora, exemplificando, assim, a Síndrome do Imperador. Esse termo descreve crianças que possuem um desvio que as caracteriza como desobedientes e, quando confrontadas, não são capazes de lidar com a situação de maneira racional. Logo, o jovem não é capaz de se relacionar e enfrenta o professor, regularmente, de maneira agressiva e violenta, levando, assim, muitas vezes, ao abandono da profissão de educador.

Logo, a violência dentro do ambiente escolar é gerada pelo bullying e pelo enfrentamento ao professor e deve ser combatida. Dessa forma, é crucial que o Ministério da Educação assegure, como previsto no código de leis brasileiro, psicólogos, tanto para alunos, quanto para docentes. Tal medida deve ocorrer a partir de uma parceria com o Ministério da Saúde, de modo a certificar que os profissionais recebam o treinamento adequado para atender os estudantes e os professores. Adicionalmente, as escolas - públicas e privadas - devem fomentar o combate ao bullying de maneira eficaz, a partir de debates e de palestras educadoras, para todo os membros do meio acadêmico. O conjunto dessas medidas deve ser implementado a fim de que ocorra a mitigação da crescente agressividade e mau comportamento dentro do ambiente escolar.