O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar
Enviada em 11/05/2020
Para a socióloga Hannah Arendt, o mal tem se tornado algo naturalizado na nossa sociedade. Sob essa lógica, violências físicas e simbólicas, observadas em comportamentos agressivos nos âmbitos escolares, se tornaram corriqueiras. Nesse sentido, é notório que os conflitos familiares e o déficit na educação têm auxiliado no crescimento dessas atitudes e na banalização desse mal.
Em primeira análise, as conturbadas relações familiares são uma das causas para o crescente comportamento agressivo de alunos nas escolas. Essa realidade pode ser justificada pela teoria do “Habitus” do filósofo Pierre Bourdieu. Segundo o especialista, o ser humano tende a interiorizar o exterior e, em seguida, exteriorizar o seu interior; isto é, muitos dos jovens que possuem um mau comportamento escolar são sujeitados a uma criação em que a violência é algo banal. Desse modo, tal agressividade é absorvida por esses menores e, posteriormente, exteriorizada contra outros de forma mecanizada, acima de tudo, nos âmbitos escolares. Consequentemente, são geradas violências tanto físicas, quanto simbólicas (como o bullying), que culminam no sentimento de humilhação e no isolamento social do outro. Como constatação, tem se que, de acordo com o IBGE, em média 19,8% dos alunos já expuseram algum colega a situações constrangedoras.
Outrossim, o déficit educacional, também, tem potencializado o comportamento agressivo de alunos no ambiente escolar. Esse cenário, ocorre devido à negligência governamental que investe de maneira ineficaz na execução de uma educação de qualidade; ou seja, alunos que possuem mau comportamento não recebem o acompanhamento adequado, visto que são submetidos a uma educação bancária, a qual, sob a ótica do pedagogo Paulo Freire, visa apenas depositar conhecimento teórico sem nenhum processo de conscientização e orientação frente à atitudes violentas. Nesse viés, consequências psicológicas são sofridas tanto pela vítima, que tende a depressão e ao não aceitamento de si mesmo, quanto pelo agressor, que, sem ser apresentado a outras alternativas, encontra na violência uma forma de fugir da própria realidade.
Portanto, medidas são necessárias para que a realidade estudada por Hannah Arendt não seja mais a vivida nos âmbitos escolares. Assim, a partir de projetos de lei, o MEC deve garantir uma educação freiriana nas escolas e proporcionar acompanhamentos psicológicos semanais aos alunos, a fim de que sejam conscientizados e orientados sobre como as ações violentas afetam as relações sociais. Ademais, o ministério deve, também, oferecer palestras mensais, aos pais, que discutam formas de criar um ambiente saudável para o desenvolvimento dos filhos. Tudo isso, com o intuito de formar jovens psicologicamente evoluídos e cientes de que a violência nunca sera a melhor opção.