O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar
Enviada em 15/05/2020
A série ‘‘Anne with an E’’, ambientada no Canadá do início do século XX, possui diversas críticas a comportamentos recorrentes na sociedade da época, como bullying, racismo, sexismo e violência no ambiente escolar. Fora da ficção e apesar do hiato temporal, é notória a persistência desses atos nos centros educacionais brasileiros, tanto em públicos quanto privados. Sob essa perspectiva, é válido analisar os motivadores de tais ações, como a falta de acompanhamento familiar, a omissão das autoridades e os métodos de punição aplicados.
É fundamental notar que a família é responsável pela educação primária das crianças e adolescentes. Essa responsabilidade vai além das obrigações com o abastecimento material, ela é de extrema importância para o desenvolvimento social dos mais jovens. Segundo o sociólogo Mário Sérgio Cortella em sua obra ‘‘Família Urgências e Turbulências’’, o adulto deve se preparar para lidar com as diversas expressões da adolescência e suas consequências. Entretanto, muitos pais se isentam da incumbência e a transfere para as escolas. Devido a isso, muitos alunos, por não terem a disciplina familiar, comportam-se de maneira imprópria, injuriando seus colegas de classe e até mesmo os professores.
Ademais, no que concerne aos meios de correção, verifica-se os extremos nas penalidades abusivas ou na negligência por parte das escolas. No primeiro caso, diretores e professores impõem punições compulsórias como a expulsão e até mesmo chantagens psíquicas. Na segunda abordagem, as autoridades não se posicionam para que a imagem do colégio seja preservada. Em ambas situações, há a demonstração da precariedade do sistema educacional brasileiro, a qual reflete diretamente no comportamento dos alunos e os incentivam a acirrar a violência escolar. De acordo com a legislação do Estatuto da Criança e do Adolescente (1990), é função primordial da escola educar e ensinar o cidadão. Por esse motivo, excluir, ameaçar ou encobrir as ações dos estudantes representa, em última análise, a incompetência da instituição e a sua falha com a sociedade.
Portanto, faz-se necessário que a sociedade brasileira compreenda os motivadores da crescente hostilidade no ambiente escolar. Nesse contexto, é preciso que a família e a escola trabalhem em conjunto por meio de reuniões mensais, nas quais os desempenhos sociais dos alunos sejam avaliados e que os responsáveis sejam cobrados para participar ativamente da educação secundária. Além disso, é imprescindível que as Secretarias de Educação dos municípios invistam em fiscalizações periódicas das escolas, objetivando adequar esses centros educacionais à Legislação. Nessas supervisões, a omissão e metodologias de ‘‘castigos’’ aplicados aos alunos devem ser avaliadas e corrigidas caso não cumpram o papel de socialização dos estudantes.