O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar
Enviada em 08/05/2020
Uma postura destituída de empatia perante o sofrimento alheio. Essa é a imagem presente no quadro ``O grito´´ do pintor Edvard Munch. Na construção dessa arte expressionista, vê-se, ao fundo da tela, personagens que se mostram indiferentes à angústia evidenciada pela figura humana do plano central. Entretanto, essa cena não se limita ao âmbito artístico, já que vítimas do mau comportamento e da crescente agressividade dos alunos nas escolas vivem algo semelhante, tendo em vista que elas têm sido esquecidas por setores da sociedade. Sob essa ótica, cabe analisar os aspectos políticos e culturais que envolvem essa questão no Brasil.
Primeiramente, pontua-se que o Poder Público mostra-se negligente ao permitir o mau comportamento nas escolas. Isso porque há, por parte dos órgãos executivos, uma ineficiência quanto ao processo de conscientização, uma vez que falta informar aos pais sobre a importância de uma formação educacional sem agressão, para que não haja reprodução de tal ato pelas crianças no ambiente escolar, o que prejudica o direito à integridade dos professores e colegas. Sendo assim, nota-se que o governo não tem garantido o bem-estar de todo o coletivo, demonstrando, dessa forma, a ausência de consolidação dos princípios fundamentais alicerçados nos ideais iluministas do século XVIII em prol da democracia.
Também, observa-se que o silenciamento social frente à agressividade na escola apresenta-se como fator agravador desse quadro negativo. Contudo, parte da população tem demonstrado certa inércia diante desse cenário, por acreditar que são majoritários os segmentos políticos contrários, por exemplo, ao investimento financeiro na contratação de psicopedagogos que auxiliem crianças com comportamento agressivo, comprometendo, portanto, a formação disciplinar dessas. Recorrendo aos estudos da cientista politica Elisabeth Noelle-Neumann para explicar esse fenômeno, constata-se que, para evitar conflitos com grupos dominantes, alguns indivíduos tendem a fortalecer uma espiral do silêncio, permitindo, assim, a manutenção de alguns entraves.
Ressalta-se, portanto, que o mau comportamento e a agressividade dos alunos deve ser combatida. Logo, é necessário exigir do Estado, via debates em audiências públicas, uma maior conscientização dos pais sobre as possíveis consequências da formação agressiva de uma criança, a fim de erradicar práticas violentas. Ademais, é essencial estimular a população, por intermédio de campanhas midiáticas produzidas por órgãos não governamentais, a respeito a necessidade de haver um maior engajamento coletivo para a ruptura de discursos dominantes, potencializando, assim, a contratação de psicopedagogos que auxiliem as crianças. Desse modo, o `´grito- diferente do da obra de Munch - poderia romper osilêncio´´ dos resignados.