O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar
Enviada em 08/05/2020
A “Escola de Atenas”, quadro histórico elaborado pelo renascentista Rafael Sanzio, retrata um espaço de compartilhamento de ideias, criação de redes e ensejo ao debate de forma saudável. Infelizmente, fora das telas, a educação brasileira parece se distanciar cada vez mais desse ideal, com a presença frequente de episódios de violência, física ou simbólica nas escolas. Nesse sentido, destacam-se como motivadores dessa tendência a negligência familiar e as falhas do modelo educacional vigente.
A priori, o sociólogo Pierre Bordieu formulou o conceito de “habitus”, um conjunto de disposições para a ação, no qual o indivíduo tende a interiorizar as características do ambiente e externá-las em algum momento de sua vida, de forma que as influências externas são determinantes na formação de seu caráter. A partir dessa premissa, é possível entender que a negligência sofrida pelos jovens, no meio familiar, propicia que a exteriorização desse descaso ocorra, futuramente, através de comportamentos violentos no espaço escolar. Nesse sentido, na medida em que os familiares terceirizam, por falta de tempo ou paciência, a responsabilidade de atender as necessidades emocionais de seus filhos, é intensificado casos de “bullying” e até violência física com os docentes, visto que esses jovens irão procurar a atenção que lhe foi usurpada com atitudes maléficas na escola.
Em segunda análise, a atual metodologia de ensino contribui para a quebra da harmonia na convivência escolar. Isso acontece porque esse modelo, denominado de “bancário” pelo pedagogo Paulo Freire, exerce uma cobrança excessiva de máximo desempenho nos testes e domínio de conhecimentos técnicos, em detrimento do aprendizado para além do ambiente escolar. Essa conjuntura, por sua vez, intensifica a competição negativa entre os alunos e a posterior frustração emocional por não atingir um patamar que foi criado sem a preocupação com as idiossincrasias de cada um. Dessa forma, a escola torna-se um lugar propício para o surgimento de conflitos, dada a tensão que foi acumulada pelos estudantes, que promoverão danos físicos ou psicológicos nos envolvidos.
Portanto, a fim de amenizar a agressividade presente nessas instituições, é mister que o Ministério da Educação, com o auxílio dos governos estaduais e municipais, ofereça um maior suporte emocional aos discentes. Isso pode ocorrer por meio do envio, ao Congresso Nacional, de uma lei que torne obrigatória a presença de psicopedagogos nas escolas de todo país, responsáveis por aproximar a família da formação educacional dos estudantes, assim como reduzir neles o estresse e a ansiedade promovidos pela cobrança exacerbada de um desempenho perfeito. Nessa direção, será possível aproximar o Brasil da escola idealizada por Rafael Sanzio, ainda no século XVI.