O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar
Enviada em 15/05/2020
Cantando a “pureza da resposta das crianças”, Gonzaguinha revelou o encanto pelo brilho inocente da juventude. No entanto, atualmente, no Brasil, aquilo que o poeta exaltava vem cedendo espaço ao crescente mau comportamento e agressividade dos alunos nas escolas o que, por sua vez, revela péssimas relações familiares e a falta de acompanhamento psicológico como principais causas.
A princípio, a matriz do problema se evidencia ao se analisar a desestruturação familiar como principal contribuinte para a violência dentro do ambiente escolar. Isso acontece quando se observa a família como instituição primordial para a formação do indivíduo, haja vista que é nela em que são transmitidos, às crianças, os princípios éticos e valores morais que acompanharão o indivíduo durante toda a vida. Devido a essa relevância na construção individual, em caso de possíveis transtornos nas relações familiares, são geradas, ao jovem, graves consequências refletidas diretamente em seus comportamentos. Isso fica ainda mais evidente nos estudos feitos pela escola de enfermagem da Universidade de São Paulo que revelou as péssimas relações familiares como elemento comum à vida dos estudantes que apresentam mau comportamento e/ou agressividade nas escolas. Isso revela a importância de tal instituição na estruturação comportamental dos alunos no país.
Além disso, o problema se agrava ainda mais ao se analisar que a falta de acompanhamento psicológico nas escolas brasileiras contribui, diretamente, para atitudes impróprias dos estudantes. Isso se deve ao fato de que, por serem ambientes tão presentes na vida do jovem como palcos de suas primeiras experiências no ensaio para a vida adulta, as escolas se configuram, ou pelo menos deveriam, como espaço de acolhimento para divisão de traumas pessoais com agentes especializados. Esse panorama, porém, não é a realidade do país que pouco valoriza a atuação dos profissionais de psicologia em tais instituições e, somente em 2018, que foi aprovada a lei que garante a presença obrigatórias de psicólogos nas escolas. Isso revela que, o visível crescimento da violência e mau comportamento escolar é fruto da negligência com o estudante que não encontra meios de dividir problemas pessoais.
Portanto, é preciso acabar com os comportamentos reprováveis dos alunos nas escolas. Desse modo, cabe ao Estado o papel de dar suporte aos alunos por meio de parcerias com faculdades de psicologia, trazendo estudantes finais do curso para estagiar no acompanhamento da escola e ajudar os alunos a superar problemas pessoais. Além disso, o Estado também deve ser mediador das relações familiares. Isso deve ser feito por meio de visitas do conselho tutelar e de psicólogos às casas dos estudantes com problemas para solucionar os possíveis traumas familiares.