O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar
Enviada em 14/05/2020
De acordo com o educador Mário Sérgio Cortella, a escola não cria violência ou agressividade nos alunos, apenas as reproduz dentro dela. Sendo assim, hodiernamente, o cenário escolar está sendo palco de comportamentos agressivos de alunos que não recebem um adequado acompanhamento familiar, psicológico e educacional. Dessa forma, existe um ambiente em que se vigora a violência e que não confere oportunidades para uma instrução que proporcione o pleno aprendizado do indivíduo.
Inicialmente, é necessária a análise da influência psicológica da educação familiar sobre o comportamento social. Segundo o pai da psicanálise Sigmund Freud, na infância, a formação da personalidade dá-se nos primeiros anos de vida, quando as crianças lidam com os conflitos familiares, que funcionam como “modelos de conduta”. Nesse sentido, um espaço em que se prevaleça a violência, como relações abusivas na família, pode influenciar uma conduta semelhante em jovens. Uma vez que detêm esse cenário violento como modelo, alunos podem aplicá-lo à vida escolar, praticando bullying e agressões físicas contra professores e colegas. Logo, é evidente a necessidade de um acompanhamento psicológico para o desenvolvimento saudável do estudante.
Ademais, é importante entender o papel da escola na construção do aluno. Conforme o educador Paulo Freire, o professor não deve agir apenas como ferramenta para depositar conhecimento, e sim, também, como um receptor, proporcionando um aprendizado mútuo entre aprendiz e formador. Nessa perspectiva, é necessário que o docente estabeleça um vínculo de confiança, para que possa entender a situação do aluno e estabelecer um diálogo com a sua família, a fim de decidir uma melhor forma de agir. Desse modo, é fundamental que exista essa relação de professor sabendo identificar comportamentos anormais do educando para estabelecer a harmonia no ambiente escolar.
Tendo em vista os fatos citados, é imprescindível que medidas sejam tomadas. Segundo esse viés, o Ministério da Educação (MEC) deve agir nas Universidades Federais e inserir na formação dos profissionais da educação a habilidade de intervir e aprender com o aluno. Para tanto, os futuros educadores devem ser formados para identificar conflitos e comportamentos anormais, estabelecendo vínculos com o alunos, como sugere a filosofia freiriana. Por conseguinte, haverá uma ação para reduzir as atitudes agressivas em sala de aula. Além disso, é preciso que o MEC determine nas escolas a obrigatoriedade de uma equipe que atue na resolução de conflitos, composta por psicólogos e pedagogos especializados no cenário escolar, para que a família, juntamente com o aluno, possa combater suas atitudes reprováveis e ensiná-lo da melhor forma. Assim, será possível que a escola não seja um ambiente reprodutor da violência preexistente no ambiente familiar, como alertou Cortella.