O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar
Enviada em 15/05/2020
“A Lista Negra” de Jeniffer Brown é um romance tocante e sensível que narra a trajetória de Valerie, uma jovem sobrevivente de um massacre na escola em que estuda, e suas percepções cada vez mais confusas sobre os papéis de vítima e agressor num ambiente escolar de extrema violência. De maneira análoga, situações de violência física e simbólica se tornaram comuns no convívio escolar, os alunos muitas vezes agem com hostilidade em decorrência do contexto social em que estão inseridos ou de sua inexperiência em lidar com emoções e solucionar conflitos.
Em primero lugar, é notório que crianças e adolescentes expostas a um ambiente de violência apresentam maior tendência a refletir esses comportamentos. Tal fato, vai de acordo com a teoria do “Habitus” do sociólogo frânces Pierre Bourdieu, esse princípio afirma que o ser humano está sujeito a interiorizar comportamentos exteriores a ele e depois exterioriza-los, de modo a reproduzir inconscientemente atitudes hostís e violentas. De mesmo modo, alunos que foram vítimas ou espectadores de agressividade tendem a reproduzi-la nos ambientes que frequentam, entre eles o escolar. Dessa forma, a escola que devia ser um ambiente de crescimento, conforto e confiança se torna palco das mais diversas manifestações de violência física ou simbólica de alunos contra professores e outros colegas.
Em segundo lugar, o desrespeito, mau comportamento e a hostilidade que alguns alunos apresentam estão intimamente ligados a forma errônea como essas crianças e adolescentes lidam com emoções e conflitos. Esses estudantes, muitas vezes, não tiverem nenhuma orientação ou direcionamento sobre a importância da comunicação não violenta e do respeito às normas e regras para garantir uma convivência harmônica. Dentro dessa perspectiva, segundo o patrono da educação no Brasil Paulo Freire, é comum, e extremamente perigoso, a adoção da educação bancária no sistema de ensino, que enxerga os alunos como um depósito de informações e não como indivíduos em formação para a vida em sociedade. Essa falta de educação emocional nas escolas faz com que os alunos reajam de forma brusca e violenta diante dos conflitos apresentados para ele na rotina, não respeitem as normas da escola, a autoridade dos professores ou o outros colegas.
Portanto, para o combate da problemática é necessário que o Ministério da educação invista em programas de acompanhamento familiar aos alunos, feitos por assistentes sociais que garantirão que essas crianças e adolescentes vivem em um ambiente não violento, combinado com a criação de um projeto que estimule o diálogo como resolução de conflitos e ensinem formas de comunicação não violenta. Para que a escola possa atuar em sua totalidade como um ambiente pacífico e harmonioso.