O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar
Enviada em 10/05/2020
De acordo com o sociólogo Florestan Fernandes, a educação e ciência têm, potencialmente, uma grande capacidade de elevação cultural e desenvolvimento social. No entanto, atualmente, o cenário escolar está perpassado por comportamentos agressivos de alunos que não receberam um adequado acompanhamento familiar, psicológico e educacional. Dessa forma, existe um ambiente em que se vigora a violência e que não confere oportunidades para uma instrução que proporcione o pleno aprendizado do indivíduo.
Inicialmente, cabe-se a análise da influência psicológica da educação familiar sobre o comportamento social. Segundo o criador da psicanálise, Sigmund Freud, na vida psíquica do indivíduo, o outro pode entrar em consideração como modelo. Nesse sentido, um espaço em que se prevaleça a violência, como relações abusivas na família, pode influenciar uma conduta semelhante em jovens. Uma vez que detêm esse cenário violento como modelo, alunos podem aplicá-lo à vida escolar, praticando bullying e agressões físicas contra professores e colegas. Logo, é evidente a necessidade de um acompanhamento psicológico para o desenvolvimento saudável do estudante.
Ademais, é importante entender o papel da escola na construção do aluno. Conforme o educador Paulo Freire, o professor não deve agir apenas como ferramenta para depositar conhecimento, e sim, também, como um receptor, proporcionando um aprendizado mútuo entre estudante e formador. Nessa óptica, é necessário que o docente saiba identificar ações agressivas, como o bullying, para que possa entender a situação do aluno e estabelecer um diálogo com a sua família, a fim de decidir uma melhor forma de agir. Desse modo, é fundamental que exista essa relação de professor aprendendo com a realidade do educando para se estabelecer a harmonia no ambiente escolar.
Diante da necessidade de construir um desenvolvimento saudável para o estudante, é imprescindível, portanto, que medidas sejam tomadas. Seguindo esse viés, o Ministério da Educação (MEC) deve agir nas Universidades Federais e inserir na formação dos profissionais das escolas a habilidade de intervir e aprender com o aluno. Para tanto, deve utilizar-se de educadores que explicitem a importância dessa habilidade e de psicólogos que mostrem como isso deve ser feito. Por conseguinte, haverá uma ação para reduzir as atitudes agressivas em sala de aula. Além disso, é preciso que o Ministério da Saúde disponibilize psicólogos especializados em comportamentos de jovens nas escolas, para que a família, juntamente com o indivíduo, possa combater suas atitudes e ensiná-lo da melhor forma. Assim, será possível que a escola seja um ambiente de desenvolvimento social e cultural, como citado por Florestan Fernandes.