O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar
Enviada em 13/05/2020
No filme ‘’Escritores da liberdade’’, a professora Gruwell inicia suas aulas em uma escola de bairro pobre, marcada de violência e agressividade e com alunos rebeldes sem ânimo para aprendizagem, o que dificulta sua tarefa. De maneira análoga a ficção, as escolas brasileiras compartilham do mesmo problema devido ao número crescente de violência no ambiente escolar, sendo necessário então, debater sobre o que estimula tal comportamento e as consequências no futuro desses alunos.
A priori, segundo Paulo Freire, existe uma educação bancária em que o professor age como quem deposita conhecimento no aluno apenas receptivo, dócil, ou seja, tratando-o como quem está preparado para obter um bom desenvolvimento escolar, mas desconsiderando a realidade de cada um. Com isso, baseado no contexto social em que estão inseridos, muitos alunos não produzem uma boa relação no ambiente familiar - brigas entre os pais, desobediência, violência defendida como forma de resposta - o que fomenta um mau comportamento na escola. Ademais, há ainda a prática do bullying nos colégios, tornando este um ambiente hostil tanto para quem sofre a ação, como para quem realiza, gerando uma hierarquização social, do melhor e pior, potencializando a agressividade.
Além disso, de acordo com Foucault, há uma docilização do corpo na educação, em que a escola é a responsável por moldar as condutas do indivíduo e disciplinar seus comportamentos de maneira natural, ou seja, sem parecer algo forçado. Em contrapartida, quando o ambiente é afetado com os maus comportamentos, a conduta e disciplina dos alunos é um alvo. Assim, torna-se propício o aumento do individualismo - impedindo os alunos de reconhecer a função do professor - e sem uma direção correta para os comportamentos, ocorre a busca por condutas violentas como única solução dos problemas, além de uma tendência à intolerância. Como consequência, esses jovens desenvolverão problemas de ansiedade ocasionados por indisciplina, afetando seus relacionamentos futuros no âmbito pessoal e social.
Portanto, é necessário que aja uma iniciativa das escolas em proporcionar palestras educativas, utilizando-se de pedagógicos e psicólogos para informar os pais e familiares dos melhores caminhos no combate a violência e intolerância, como a prática de bullying. Dessa forma, as palestras trariam dados que comprovassem a eficiência das ações, como introduzir os alunos em atividades em grupo, relembrar a importância da família na formação ética e emocional do indivíduo. Assim, em auxílio com os pais, os professores possam identificar os diferentes perfis de alunos e aprendam a lidar com eles, para que assim, a educação bancária transforme-se em um ensino amplo e acolhedor, entendendo a realidade dos indivíduos e ajudando-o ao enfrentar seus problemas, diminuindo então, a agressividade.