O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar
Enviada em 27/04/2020
O filme japonês Battle Royale mostra uma sociedade onde o colapso econômico e social levaram a uma banalização da violência nas escolas e as transformou em um campo de batalha. No Brasil, embora não haja uma realidade tão extrema quanto a do longa-metragem, a generalização da agressividade no ambiente escolar é um sério problema a ser combatido. Para isso, é preciso entender a relação do mau comportamento estudantil com a instabilidade familiar, além da capacidade dessas posturas de se autoperpetuarem.
Primeiramente, é necessário compreender como ambientes familiares disfuncionais estimulam comportamentos agressivos. De acordo com os sociólogos Peter Berger e Thomas Luckmann, a família está entre os principais responsáveis pela socialização primária, processo pelo qual a criança aprende a conviver em sociedade. Assim, quando essa instituição falha em seu papel, seja pela ausência física ou pelo desleixo emocional, jovens crescem inaptos a lidar com conflitos. Essa incapacidade, por sua vez, é capaz de dar margem a comportamentos violentos, uma vez que a agressão é uma resposta instintiva a situações conflituosas na infância.
Ademais, uma vez instaurados, os maus comportamentos tendem a se perpetuar. Segundo o comunicólogo Muniz Sodré, atos de violência continuados levam a um estado de violência permanente, que se manifesta como um ciclo vicioso, o qual, por sua vez, gera novas agressões e dão a esse fenômeno a capacidade de se autoperpetuar. Nas escolas, essa realidade pode ser observada pelo estudo do bullying, no qual nota-se que as vítimas tendem a se tornar agressores e dar início a um novo ciclo de maus comportamentos. Logo, nota-se a necessidade de agir para quebrar esse padrão comportamental.
Portanto, percebe-se a necessidade de alterar o paradigma da violência escolar. Para esse fim, o Ministério da Educação deve criar campanhas nas escolas sobre convivência social pacífica e os males da violência, que podem contar com a participação de órgãos de segurança pública, como a Polícia Militar e as Defensorias Públicas, que visem conscientizar os alunos sobre a importância do respeito ao outro e as consequências de comportamentos agressivos. Além disso, as instituições de ensino devem convocar as famílias para participar dessas campanhas, a fim de conscientizá-los de sua importância no combate aos maus comportamentos no ambiente escolar. Dessa maneira, será possível transformar as escolas brasileiras não em um campo de batalha, mas num ambiente de aprendizado eficaz e paz.