O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar

Enviada em 13/05/2020

Desde o Iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa a questão da violência nas escolas do Brasil, verifica-se que esse ideal iluminista é constatado na teoria e não desejavelmente na prática e a problemática persiste intrisecamente ligada à realidade do país. Nesse contexto, torna-se clara a insuficiência de profissionais especializados em violência estudantil, bem como o preconceito existente no ambiente escolar.

Primeiramente, é indubitável que a questão constitucional e a sua aplicação estejam entre as causas do problema. Segundo o filósofo grego Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, é possível perceber que, no Brasil, os escassos investimentos governamentais em disponibilização de profissionais da área de psicologia para as escolas públicas, rompe com essa harmonia, haja vista que conforme dados do site G1, o Brasil é o primeiro no ranking da violência contra professores.

Outrossim, destacam-se os preconceitos relacionados à cor da pele e aos padrões de estética entre os alunos como impulsionador do impasse. Tristemente a existência da discriminação relacionada à beleza e a discriminação racial são reflexo da valorização dos padrões criados pela consciência coletiva. Contudo, segundo o pensador e ativista francês Michel Focault, é preciso mostrar às pessoas que elas são mais livres do que pensam para quebrar pensamentos errôneos contruídos em outros momentos históricos. Assim, uma mudança nos valores da sociedade é fundamental para transpor as barreiras à contrução de um ambiente escolar seguro.

Evidencia-se, portanto, que o Ministério da Educação (MEC) deve disponibilizar profissionais formados na área de psicologia, para as escolas públicas, que atuem como supervisores e solucionadores de possíveis casos de violência, através da ação em conjunto com os pais dos estudantes. Ademais, como já dito pelo pedagogo Paulo Freire, a educação transforma as pessoas, e essas mudam o mundo. Logo, o MEC deve instituir, nas escolas, palestras, apresentações artísticas e atividades lúdicas a respeito das consequências da violência escolar, a fim de que o tecido social brasileiro se desprenda de certos tabus para que não viva a realidade das sombras, assim como na alegoria da caverna de Platão.