O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar

Enviada em 12/05/2020

O massacre de Columbine corresponde a um tiroteio numa escola estadunidense, cuja causa foi o bullying que os estudantes sofriam. Esse não é um episódio isolado, uma vez que tiroteios são relativamente comuns nos EUA, e o Brasil também já teve episódios semelhantes. O motivador desses fenômenos trágicos, o bullying, é apenas uma das facetas de tendências crescentes nos ambientes escolares: o mau comportamento e agressividade dos alunos, que pode se manifestar contra outros estudantes e até contra professores. A culpa dessa violência em ascensão não é de um só agente, mas tanto do ambiente familiar quanto do escolar, pois ambos vêm falhando em educar as crianças e jovens.

A família é o primeiro âmbito de aprendizagem e socialização dos indivíduos, e é tão influente no comportamento das pessoas que correntes de pensamento como a Psicanálise a consideram o eixo central de problemas psicológicos cujas repercussões “ecoam” pelo restante da vida. Nos últimos anos, graças ao ingresso das mulheres no mercado de trabalho, ambos os pais costumam se ausentar de casa e ter papel diminuto na vida dos filhos, tercerizando sua criação para babás e empregadas ou avós. Os sentimentos de rejeição que as crianças vivenciam têm grande impacto em seu comportamento, assim como a ausência de um “molde” no qual possam se inspirar para formar sua personalidade e adequar suas ações, como Freud afirma que as crianças fazem com seus pais. Isso não raro leva à violência no ambiente escolar, que vem crescendo nos últimos anos.

Já a escola é “bancária”, como afirmou o educador brasileiro Paulo Freire em sua teoria mais popular sobre a educação. O foco dos colégios brasileiros nos últimos anos se tornou quase que inteiramente o vestibular, e os “depósitos” pontuais e quase desconexos de conhecimento na mente dos alunos visa tão somente a prepará-los para o ingresso numa universidade, e não para a cidadania, responsabilidade e alteridade, como a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional estabelece. A integração entre os alunos não é estimulada — pelo contrário, verifica-se crescente competitividade fruto da mentalidade de “concorrentes” do vestibular — e isso dá ensejo à violência e desentendimentos, graças à construção de um ambiente hostil e repleto de estresse.

Para que essa tendência crescente de violência diminua, é necessário que os psicólogos das escolas promovam integração entre família e aluno, através de sessões quinzenais; isso com o intuito de “curar feridas” na relação familiar dos alunos. Além disso, os colégios devem solicitar de seus professores que promovam um ambiente mais favorável ao pacifismo. Isso deve ser alcançado por meio do foco numa didática que incentive cooperação e amizade entre os estudantes, diminuindo “conteudismos”, tudo para poder promover ensinamentos em cidadania, responsabilidade e alteridade.