O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar

Enviada em 15/05/2020

Dados de um estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2015, demonstram que cerca de oito por cento dos alunos entrevistados sofrem algum tipo de provocação, e vinte por cento deles já expuseram seus colegas a uma situação constrangedora. Dentro desse contexto tão preocupante, o mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar traz várias consequências negativas, como a perpetuação do bullying entre os discentes e a potencialização dos índices de violência destes contra os seus professores.

Precipuamente, é relevante considerar que o comportamento inadequado promove a manutenção dos casos de assédio moral entre os jovens no âmbito escolar. À luz do pensamento de Pierre de Bourdieu, sociólogo francês, a violência simbólica é uma forma de opressão, sem coação física, apoiada no reconhecimento legítimo de uma imposição que exorta o indivíduo a se posicionar segundo padrões do discurso dominante. Nesse viés, o bullying enfrentado pelos alunos se configura como violência simbólica, visto que os estudantes expõem os outros a situações vexatórias, por acreditarem que eles não atendem aos parâmetros de uma classe prevalecente, e os elencam como seres inferiores. Essa forma de discriminação às diferenças raciais, socioeconômicas e culturais, intensificada pela conduta errônea de alguns alunos, pode levar ao aparecimento de doenças mentais e provocar evasão escolar, devido ao sentimento de não pertencimento destes jovens ao local onde são oprimidos.

Ademais, o comportamento irregular dos alunos tem afetado, muitas vezes de forma irreparável, a saúde física e emocional dos professores brasileiros. De acordo com pesquisa apresentada pelo Sindicato dos Professores de São Paulo, mais da metade dos docentes da rede estadual de ensino declaram ter sofrido alguma forma de violência como perseguição, preconceito, roubo e agressão física. Nesse sentido, os profissionais da educação arcam com as consequências da violência escolar, uma vez que, majoritariamente, enfrentam dificuldades em controlar o comportamento deletério de seus alunos. Assim, a hostilidade por parte dos jovens afeta a qualidade de vida desses educadores, que podem desenvolver, a longo prazo, distúrbios psicossomáticos, estresse e prejuízos na socialização.

É evidente, portanto, que o comportamento repreensível de certos alunos se reflete em diversas formas de violência entre si e contra seus professores. Desse modo, cabe ao Ministério da Educação combater essa conjuntura nefasta, mediante a elaboração de um programa nacional de conscientização escolar, que estabeleça protocolos específicos de punição para os alunos transgressores, com foco na realização de atividades socioeducativas, além do acompanhamento psicopedagógico junto as suas famílias e professores. Esse programa tem o objetivo de reduzir os índices de violência escolar no país.