O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar

Enviada em 15/05/2020

Para o pensador francês Pierre Bourdieu, ’’ aquilo que foi criado para ser um instrumento de democracia, não deve ser convertido em uma ferramenta de manipulação’’. Essa visão, embora correta, não é efetivada no hodierno cenário nacional, sobretudo no ambiente escolar, cenário que se encontra denegrido pelos crescentes casos de mau comportamento, agressividade e desacato ao papel do professor. Nesse grave contexto, a violência tem se expressado de diversas maneiras e cabe-se, portanto, identificar os motivos que levam a se encontrar a violência, incorporando-se à rotina das instituições de ensino e assumindo proporções preocupantes.

De início, vale afirmar que a atual educação brasileira não se apresenta como um campo experiencial para a causa. De acordo com o Diagnóstico Participativo das Violências nas escolas, feito pela faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais, 69,7% dos jovens afirmam terem visto algum tipo de opressão dentro da escola. Com isso faz-se necessário o trabalho do respeito ao próximo e o melhor convívio entre educadores e alunos. Destaca-se ainda, que 12,5% desse resultado, representam os professores e essa violência, infelizmente, parece normalizada pela falta de debates ou propostas práticas  para lidar com o problema.

Dessa forma, quando nos deparamos com qualquer tipo de manifestação de violência na escrita, surge a pergunta: mas afinal, de quem é a culpa? Da família ou da escola? Essa perguntatorna-se complexa por justamente não ter uma única resposta. A educação de um indivíduo se dá principalmente  pela família, responsável pela socialização primária, pela escola, local onde a criança passa a conhecer a vida coletiva, e pela sociedade, com múltiplas influências culturais e sociais. Além disso, como dito pelo pedagogo brasileiro Paulo Freire, ’’ se a educação não muda a sociedade, tampouco sem ela a sociedade muda’’. Portando, não se trata de responsabilizar uma ou outra, mas sim reconhecer os diferentes papéis  e atua em parceria , para que de forma intencional, tenhamos como base , um convívio social pacífico.

Desprende-se, portanto, a relevância da comunicação pacífica entre alunos e educadores, e torna-se necessário por parte do Estado e Ministério da Educação, que se torne obrigatória a existência de grêmios estudantis , onde seria o ambiente perfeito para os alunos trabalharem com as diferenças dentro do ambiente escolar e lidar com a vida coletiva - sejam em relação ao bullying, racismo, LGBT e diferenças físicas e sociais - devendo-se também, por parte do poder público, oferecer propostas e subsídio financeiro para o desenvolvimento de projetos voltados à cultura de paz nas escolas e apoiar, como proposto por Bourdieu, uma verdadeira utilização de um instrumento democrático, a educação.