O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar
Enviada em 15/05/2020
No livro “A Banalidade do mal” da filósofa alemã Hannah Arendt, o conceito de “mal radical” é utilizado para definir um grupo de indivíduos que naturalizam práticas inadequadas como algo comum de ser reproduzir no dia a dia. Diante disso, no cenário do mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar, percebe-se que o contexto supracitado é inerente a esta realidade, sobretudo, no Brasil. Depreende-se, portanto, que o fruto dessa violência é oriundo de uma base educacional deficitária, no qual a Escola e a Família fazem parte desse processo formacional.
Em primeira análise, convém ressaltar, que a Escola é um fator primordial para a inserção do indivíduo na sociedade devido a sua capacidade de educar desde a tenra idade. Sob tal ótica, no livro “Psicologia das massas e análise do Eu” do pensador Sigmund Freud, na vida psíquica de um ser individual, o outro é por via de regra, auxiliador, modelo e objeto a ser seguido. Percebe-se com isso, que a convivência com aquele ambiente faz parte da construção dos valores éticos e morais do cidadão. Dessa forma, é imprescindível a valorização da educação nesse local para fomentar o desenvolvimento de sujeitos críticos e ativos contra quaisquer tipos de violência.
Em segunda análise, em paralelo ao citado acima, a família é o alicerce para toda essa base educativa. Consoante o escritor Pierre Bourdieu, a violência seja qual for, é fruto do “habitus” que é o produto do meio no qual o indivíduo está inserido. Assim, concerne a família o papel de corrigir e modelar o comportamento agressivo de seus filhos, a fim de mitigar a problemática no contexto escolar, e por conseguinte, atenuar os casos de bullying e violência contra o professor, visto que os casos de mau comportamento na escola seguido de agressões subiram 189% de acordo com a Folha de São Paulo. Com isso, é inadmissível negligenciar a educação, visto que, sem ela, adultos criminosos serão potencializados.
Em suma, urge que a inação de órgãos que reverberam o contexto educacional seja efetivada para erradicação do imbróglio. Com isso, faz-se necessário que o Ministério da Educação em sinergia com o Governo Federal, amplie propagandas educativas com o apoio midiático e realize palestras e debates em centros educacionais com profissionais capacitados, incluindo psicólogos, pedagogos e professores de todo o país para que o “não” a violência seja disseminado no Brasil, de modo a conscientizar pais e alunos de que o ambiente escolar deve ser preservado. Dessa maneira, garantir-se-á assim, um estado de bem-estar, a fim de eliminar o “mal radical” como conceituava, Hannah Arendt.