O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar
Enviada em 08/05/2020
O filme norte-americano, Escritores da Liberdade, retrata uma uma escola de um bairro pobre, que está corrompida pela agressividade e violência. Os alunos se mostram rebeldes e sem vontade de aprender, e há entre eles uma constante tensão racial. Saindo da ficção, nota-se que esse problema é recorrente nos dias atuais. E segundo pesquisa divulgada pelo Instituto Locomotiva e pelo Sindicato dos Professores de São Paulo, 54% dos professores já sofreram algum tipo de violência nas dependências das escolas em que lecionam. Dessa forma, é necessário analisar as motivações para tal fato.
É importante analisar o papel da influência familiar e do meio em que vivem no comportamento das crianças. Já que, a família corresponde ao primeiro processo de socialização e de contato com o mundo, logo, é fundamental que ela propague valores que viabilizem a coexistência pacífica em sociedades, bem como nas escolas. Entretanto, crianças que vivem em condições de vida sub-humanas são influenciados não só pela família, mas também, pela violência que o cerca, que é vista como algo corriqueiro. E essa normatização da violência é manifestada, também, nas salas de aula. Exemplo disso, é o livro Ensaio sobre a cegueira, de Carolina de Jesus, no qual ela retrata a violência como algo comum ao dia das pessoas de sua comunidade e consequentemente, nas crianças.
Pontua-se, também, a inexistência do apoio psicológico aos alunos nas escolas. Isso contribui para o agravamento de problemas como o bullying, que é a principal forma de violência escolar no Brasil, como mostra a pesquisa realizada pela ONU, que 43% das crianças e jovens brasileiros sofrem algum tipo de zombaria. Esse dado, expõe a falha de boa parcela das escolas em deixar de oferecer um ensino mais humanizado, apoiado também no amparo e desenvolvimento do emocional. Dessa forma, deve-se garantir nesses espaços o desenvolvimento dessa competência essencial para a vida.
Portanto, se faz necessária a conjuntura entre família e poder público para reverter o cenário atual. A família, por sua importância na formação do indivíduo, cabe o papel de orientar, fiscalizar e coibir qualquer prática de desrespeito, atribuindo ao indivíduo noções de ética desde a infância. Por sua vez, o Ministério da Educação, com sua função de melhorar a qualidade da educação, cuidando de todo o sistema educacional brasileiro, deve investir em programas que reformulem o sistema de ensino, implantado programas de apoio psicológico em escolas da rede pública do país e em conjunto com as mídias, realizar campanhas, fóruns e seminários que discutam problemas sociais como o da violência na escola, estimulando aos jovens refletirem sobre sua prática e consequências. Para que, episódios de violência nas escolas fiquem apenas na ficção.