O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar
Enviada em 10/05/2020
“A hora da estrela”,composta por Clarice Lispector, retrata a vida da personagem Macabéa, que, após sofrer vários traumas emocionais,se sente não adaptada ao mundo no qual está inserida. Apesar do lapso literário e temporal,pode-se perceber que, assim como como a protagonista do romance Moderno,vários indivíduos não se encontram representados no universo hodierno,principalmente no que tange à esfera educacional,o que,muitas vezes,acarreta comportamentos indevidos nesses espaços.Sob esse viés,é importante analisar a influência do caráter punitivo e passivo da educação escolar na crescente rebeldia e agressividade dos alunos.
De início,é necessário perceber que a logística condenatória das escolas colabora para a construção de ambientes insalubres e violentos.Ao tomar como base o pensamento do filósofo Michel Foucault, a partir da sua obra “Vigiar e punir”,nota-se que há mecanismos singelos de repressão que docilizam os corpos, transformando elementos do cotidiano em instrumentos de manipulação.Diante dessa cosmovisão, é evidente que a sistematização severa das escolas brasileiras, as quais buscam uniformizar o modo de aprendizagem por meio de disciplinas cotidianas imutáveis e inadaptáveis,reprime a expressão dos sentimentos e dos anseios individuais, o que desencadeia desinteresse pelos estudos e maus hábitos nas salas de aula, como uso indevido do celular.
Compreende-se,ainda,que o ensino unilateral e passivo nas instituições educacionais colabora para a falta de engajamento dos alunos e,consequentemente,para consolidação de práticas inapropriadas. Sob a ótica do educador Paulo Freire,a “Educação bancária”,que consiste em um modelo baseado na repetição acrítica de conteúdos ministrados de forma vertical,é responsável pela doutrinação e não pela formação libertadora do conhecimento.Diante de tal prisma social,nota-se que o molde educacional de grande parte das escolas brasileiras é pautado na “Educação bancária”,a qual reprime as ideias e as individualidades do aluno,esse flagelo institucional,juntamente com o défice no ensino de respeito que deveria ser iniciado nas famílias,desencadeia ações agressivas e maus comportamentos.
Logo,é possível inferir que o cunho punitivo e passivo da educação escolar gera,junto a outros fatores, como carência educacional da instituição primária,maus comportamentos e agressividade.Com base nisso, urge que o Ministério e as Secretarias da Educação institucionalizem as feiras científicas nos centros educacionais, de forma mensal,por meio da realização de práticas culturais e didáticas que engajem os alunos com as aulas do ambiente teórico. Isso deve ocorrer a fim de constituir um ambiente educacional mais libertador e dotado de propósito,atenuando,assim,as ações de rebeldia. Afinal,é chegada a hora da estrela nas escolas, para que os alunos sintam-se coparticipantes de sua formação.