O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar
Enviada em 12/05/2020
De acordo com o filósofo brasileiro Mario Sérgio Cortella, a escola passou a ser vista como um ambiente de salvação, pois as famílias estão confundindo educação com escolarização. Assim se faz, visto que a escola passou a desempenhar o papel dos pais: educar e ensinar. Todavia, o crescente aumento dos casos de violência escolar revela a crítica a atual situação da educação brasileira e se torna um impasse.
A priori , crianças que presenciam ou sofrem situações de agressão tendem à reproduzi-las no ambiente escolar, tornando-se imprescindível, então, que esse seja um local acolhedor e transformador de realidades. Contudo, a falta de medidas governamentais, como a disponibilização de verbas para uso social nas instituições de ensino, impossibilitam essa função sociocultural. Nesse viés, apesar de programas, como o Bolsa Família, apresentarem como critério do benefício que os jovens frequentem a escola, não há o acompanhamento psicológico das famílias e dos alunos, por exemplo, que permita a denúncia ao Conselho Tutelar de possíveis casos de violência doméstica a serem constatados, o que evidencia a morosidade do Estado na educação inclusiva.
Ademais, outra análise recai sobre o desvio de responsabilidade que a comunidade atribui à escola, ao esperar que o instituto atue sozinho na educação dos filhos. Esse cenário é consequência, ainda, da inexistência de participatividade entre família e e instituição escolar, que decorre da não percepção da escola como patrimônio público onde a promoção de atividades de desponto, palestras e acompanhamento é primordial para uma relação saudável entre docentes, alunos e pais. Para tanto, a implementação dos conselhos escolares, que permitem essa intermediação ao contar com representantes do grupo familiar, professores e estudantes organizando debates e resolução de problemas, efetivam a dissolução de cenários de violência dentro e fora dos colégios.
Portanto, seja a negligência social das instituições educadoras seja da comunidade para com elas, urge ressignificar o contato entre escola e sociedade para que a violência seja extinguida. Dessa forma, o Ministério da Educação, utilizando a verba pública destinada à educação, deve contratar psicólogos com experiência em casos infanto juvenis e familiares para que realizem visitas periódicas nas escolas, consultando menores infratores e suas famílias, e encaminhando pareceres ao Conselho Tutelar quando denúncias fizerem-se necessárias. Além disso ,o Governo deve promover uma campanha televisiva apresentando exemplos de escolas inclusivas, que circule nos canais abertos em horário nobre, incentivando a comunidade à acompanhar o calendário escolar, participando de eventos e apadrinhando os alunos nos conselhos escolares, dos quais os psicólogos também devem participar.