O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar

Enviada em 11/05/2020

“É preciso de uma aldeia para educar uma criança”. Partindo desse famoso provérbio africano, nenhuma criança se desenvolve tendo como referência apenas uma instituição social -como escola ou família- é necessário que haja uma interação entre diversos setores sociais. Assim, uma criança é um enorme mosaico social, a qual a partir de diferentes interações sociais modela seu comportamento e pensamentos.A partir desse viés, a fim de analisar o mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar, é crucial uma abordagem ds fatores que compõem esse mosaico, bem como o papel de submissão assumido pelos professores em alguns cenários de violência.

Com efeito, torna-se imprescindível apontar a escola como um reflexo social de todas as experiências extra-escolares de um indivíduo. Sob a ótica do filósofo francês Pierre Boudier, a “Teoria do Habitus” seria a interiorização da exterioridade e, posterior, exteriorização da interioridade ,ou seja, tudo aquilo que é aceitável e praticável no meio em que o indivíduo está inserido será reproduzido espontaneamente por ele. Sob esse prisma, se uma criança vive em um ambiente doméstico de violência -o qual suscita uma noção de opressão e submissão- ou uma escola na qual a hierarquia de poder é abusiva e opressiva, uma criança além de naturalizar tais modos de vivência, vai passar a agir de forma semelhante.Dessa maneira, o oprimido vira opressor através desse"vazio afetivo"o qual gera atitudes agressivas como xingamentos, ameaças, preconceitos e até agressões físicas.

Sob esse viés, também é elementar mencionar que a cultura banal incidente sobre os docentes inseridos em um ambiente de violência extrema dificulta o fim de um do crescente mau comportamento e agressividade dos estudantes. Tal comofoi defendido pela filósofa alemã Hannah Arendt, o “mal banal” é instaurado em uma instituição social a partir do momento em que um indício de violência passa a ser naturalizado pela lateralidade. Sob essa ótica, atos violentos em escolas quando não são refreados pelas autoridades vigentes (como coordenadores e diretores) tornam-se,cada vez mais,práticas repetitivas e disseminadas, uma vez que é instaurada uma anomia estrutural na escola. Dessa forma, passa a haver uma inversão de valores entre discentes e docentes.

À luz dessas considerações, é compreensível que a forma mais resoluta para conter o crescimento do mau comportamento e da agressividade dos alunos em ambientes escolares é que toda a aldeia social trabalhe em conjunto. Portanto, urge que haja um maior vínculo entre a escola e o núcleo familiar a fim de que possam juntas monitorar o comportamento dos alunos. Tal medida deve ser realizada por meio de reuniões quinzenais promovidas pelo colégio e sob ameça de multa para o responsável faltante; Ademais, é crucial anotações diárias sobre o comportamento do aluno em agendas ou aplicativos digitais