O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar

Enviada em 10/05/2020

No Japão ensina-se a cultura de reverência ao professor, na qual ele é o único profissional que não tem a obrigação de curvar-se diante do imperador, pois entendem que: sem professores, não há imperadores. Diante dessa reflexão, torna-se nítido o comparativo entre tamanho respeito cultuado em uma sociedade e a imensa falta de tal princípio nos alunos da realidade vivida, por exemplo, por  instituições brasileiras. Nessa perspectiva, ocorre também a violência - física e psicológica - entre os discentes.

Em primeira análise, a LBD - Lei das Diretrizes e Bases da educação nacional - afirma que é papel do Estado e da família o processo de educar, pontuando que a educação tem como um de seus princípios o respeito à liberdade e apreço à tolerância. Dito isso, junto às noções de cotidiano, entende-se que se há uma deficiência nesse âmbito da formação de um jovem, grande parcela disso deve-se à falta de cumprimento da obrigação educativa no seu lar. Referente à tal questão, vem crescendo, no convívio familiar, a permissividade às más atitudes dos filhos, netos, sobrinhos, nas quais está incluída a agressividade - os papeis de autoridade são invertidos e as crianças e adolescentes enfrentam seus tutores para conquistar seus objetivos.

Em segunda análise, a teoria da seleção natural - elaborada pelo pesquisador Charles Darwin, a qual afirma que, com a evolução, sobrevivem aqueles seres que dispõem de características aceitas pelo ecossistema - faz relação com o ambiente hostil da vida escolar, de modo que cada dia no colegial representa sobreviver e adaptar-se às duras condições impostas pelo meio e por aqueles considerados mais fortes. É dentro dessa realidade que criam-se disputas, sejam pelo pódio da beleza, pela conquista de um(a) garoto(a), pela atenção prioritária dos demais, além de embates sociais que acabam sendo trazidos para esse espaço. Por tais lutas, os alunos chegam ao nível de querer destruir o seu colega, seja psicologicamente - com xingamentos que o coloquem numa posição rebaixada - ou fisicamente, pois a geração atual enfrenta um grande dilema interno: o egocentrismo.

Portanto, conclui-se necessária uma intervenção mais profunda nessa questão, de forma que profissionais das instituições educacionais - professores, coordenadores, fiscais de pátio, diretores e psicólogos - reúnam-se com seus alunos e respectivos responsáveis, dentro de seus colégios/escolas, numa roda de conversa, mensalmente acordada entre todos. Tal projeto abrirá espaço para depoimentos, reflexões e dinâmicas de interação, no intuito de florescer o respeito ao próximo, a empatia e a autoaceitação.