O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar
Enviada em 15/05/2020
Segundo o artigo 26º da Declaração dos Direitos Universais, a educação deverá garantir o pleno desenvolvimento da personalidade humana e o fortalecimento do respeito pelos direitos humanos e pelas liberdades fundamentais. Entretanto, a desigualdade na educação no Brasil está diante de um dos maiores desafios, a violência. Esse problema, antes predominante nas ruas do país, agora também dentro das salas de aula, e suas causas, muitas vezes, estão atreladas às barreiras sócio-econômicas, aos problemas emocionais, comprometimento cognitivo e frágeis referências morais dos alunos, ocasionando sérios reflexos sociais. Todavia, outras questões também são relevantes, como as condições emocionais e profissionais do educador, assim como, a ausência de infraestrutura e de recursos materiais e educacionais adequados.
Em primeira análise, uma pesquisa realizada em diferentes estados, pela Flacso, alegou que 15%, das agressões escolares partiu dos próprios professores. Segundo o pesquisador Snyders, a escola deveria ser um local de alegria tanto para o aluno quanto para o professor, todavia, nem sempre isso é possível. O excesso de demandas e fala de recursos podem gerar dificuldades na disciplina ou aumento do cansaço e desesperança na profissão, ademais, ainda existe a inexperiência para lidar com a indisciplina e com os conflitos que possam surgir de disputa de poder com os alunos. E o resultado quase sempre é um conflito direto, o que não é recomendado, pois só incitaria mais violência.
Uma segunda análise estaria na negligência dos órgãos federais em destinar recursos e possibilitar uma infraestrutura adequada às salas de aula. Dados do Inep mostraram que 14,3% das escolas não possui energia elétrica, esgoto, água e banheiro dentro do prédio e 55,2% não possui biblioteca ou sala de leitura. Para a socióloga Míriam Abramovay, a falta de infraestrutura, o conjunto de regras da instituição e as relações interpessoais, quando deficitários, contribuem para o aumento das taxas de violência. Assim, salas de aulas quentes e superlotadas podem tornar o ambiente escolar propício para o surgimento de conflitos.
Portanto, não há fórmulas mágicas para a indisciplina e a violência escolar, contudo, aplicação de medidas preventivas parece ser o caminho. É imprescindível que o Ministério da Educação adote medidas públicas e privadas que fortaleçam e desenvolvam a atuação do educador, oferecendo melhores condições de ensino e vivência no ambiente escolar, assim como, é necessária uma ampliação dos espaços e prestação de contas transparente entre escolas e entidades responsáveis por repasse de verbas. Visando à diminuição do descompasso existente entre a vivência contemporânea e a realidade vivenciada em sala de aula.