O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar
Enviada em 07/05/2020
Na obra “Laranja Mecânica”, Anthony Burgess a violência - praticada, principalmente, por jovens- como parte do cotidiano dos cidadãos. Nesse contexto, semelhante ao ambiente descrito por Burgess, a violência entre os jovens brasileiros está em crescimento e permeia locais como as escolas, sendo necessário que se examine, veemente, os fatores que geram tal problemática. Nesse sentido, a constituição de uma sociedade que combate o mau comportamento e a agressividade, nas escolas, pressupõe cuidadosa análise acerca da naturalização da violência e de falhas educacionais estabelecidas na primeira infância.
Em primeira análise, a normalização de atos violentos evidencia a violência nas escolas. Consoante Renato Sérgio Lima - diretor presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública-, o Brasil é formado por uma população que cultua a violência. Nesse viés, tal imprudente culto abre espaço para que , de maneira negligente, a Indústria Cultural, por intermédio da mídia, transforme atos violentos em espetáculo visando, inadequadamente, normalizá-los entre os indivíduos. Nessa perspectiva, não é razoável que a naturalização da violência permaneça em um país que almeja tornar-se nação desenvolvida.
De outra parte, é urgente que se desconstrua lacunas pedagógicas estabelecidas na primeira infância. Nesse cenário, Jean Jacques Rousseau - iluminista francês- disserta ser fundamental que os pilares educacionais dos cidadãos sejam edificados ainda na primeira infância. Contudo, de acordo com Cortella, a família tem agido de forma negligente e omissa frente a educação da crianças, o que não só cria falhas educacionais, mas também inviabiliza a implementação da tese defendida por Rousseau. Assim, a manutenção de vazios pedagógicos -ocasionados pelo desinteresse familiar- representa grave retrocesso e causa um dos mais graves obstáculos para o Brasil: a violência nas escolas.
Urge, pois, que escola, família e Estado estabeleçam formas para mitigar a problemática em voga. Desse modo, o grupo familiar e o Governo Federal - por intermédio da Pasta da Cultura- devem amenizar os efeitos que a mídia exerce sobre o jovem, por meio co controle parental e do estabelecimento de legislação que regule, de forma mais eficaz, a classificação indicativa de produtos que exaltem a violência, a fim de que o comportamento violento deixe de ser tido como natural. Ademais, escola e família devem trabalhar em parceria para fortaleler a educação infantil através de oficinas com profissionais capacitados - psicólogos, psicopedagogos- que possam aumentar a integração entre família e escola. Com isso, observada a ação conjunta entre escola, família e Estado, alcançará o país a desconstrução da violência explanada em " Laranja Mecânica".