O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar
Enviada em 14/05/2020
No famoso filme “Homem-Aranha” de 2002, é apresentado que o protagonista Peter Parker sofre com agressões diárias na escola, com o objetivo de gerar um clássico arco heroico em que o jovem utiliza seus recém-descobertos poderes para se vingar de seus rivais. Tal arco apresenta uma conduta moralmente equivocada, visto que o ideal seria que Peter denunciasse seus agressores ao invés de revidar. Influências negativas como a cena apresentada, aliadas ao incorreto modelo disciplinar utilizado por uma boa parte das instituições educacionais atuais, geram um agravamento da violência no ambiente escolar, atrapalhando o desenvolvimento dos jovens e abrindo espaço para atitudes criminais entre os envolvidos.
Um dos princípios fundamentais da psicologia é a análise dos eventos mais marcantes da infância dos indivíduos, pois é neste período que a personalidade e a conjuntura moral dos seres-humanos se forma através das experiências vividas. Dessa forma, as crianças que crescerem com um contato constante com a violência, provavelmente construirão uma consciência de que essa maneira de agir é a correta, passando a praticá-la em diversas situações, inclusive na escola. Caso não sejam corrigidos de maneira correta, estes se tornarão adultos violentos e inconsequentes, podendo cometer crimes ou até mesmo influenciar outros jovens, reiniciando o ciclo.
Outro fator agravante desse problema é a incapacidade dos órgãos educacionais de lidar com os jovens da maneira correta, visto que muitos deles utilizam-se de métodos punitivos ultrapassados, como suspensões e expulsões sem diálogos, sem dar aos alunos uma chance de entender o porquê dessas medidas serem tomadas. Tais atitudes acarretam, não só num mau desenvolvimento acadêmico e ético dos alunos, como também em injustiças graves. Um caso famoso da situação ilustrada é a chacina do colégio em Suzano-SP no ano de 2019, onde dois alunos se juntaram e invadiram uma escola armados, fazendo diversas vítimas e posteriormente cometendo suicídio. Segundo análises, os jovens foram motivados por uma expulsão não compreendida de um dos dois, ilustrando que o desastre poderia ter sido evitado através do diálogo.
Portanto, cabe as escolas acompanharem seus alunos de forma detalhista, através de conversas regulares com estes e com seus responsáveis, afim de descobrir seus possíveis problemas e inseguranças, para entender seus atos e desenvolver punições mais eficientes. Seria importante também que o Ministério da Cidadania promovesse maior controle sobre as influências que recaem sobre os jovens, evitando que adquiram conceitos violentos. Dessa forma, os “Peter Parkers” da vida real não precisarão desenvolver poderes para serem defendidos.