O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar

Enviada em 02/06/2020

É possível afirmar que a indisciplina comportamental e a violência nas escolas é uma temática que infelizmente persiste e cresce no Brasil e no mundo, haja vista os recentes casos de professores agredidos e dos ataques às escolas, tais como o de Suzano (São Paulo), ocorrido em 2019. Dentro desse contexto, é coerente dizer que tal situação é grave e deve ser urgentemente tratada, considerando que ela decorre de uma cultura que pouco estimula a disciplina escolar e o respeito mútuo, acarretando em formas de violência explícitas e, principalmente, simbólicas.

Primeiramente, é válido ressaltar que esse quadro de mau comportamento e violência nas escolas provém de uma conjuntura social. Como diz o filósofo e sacerdote Fábio de Melo, atualmente vive-se em uma sociedade que pouca educa o desejo. Disso infere-se que há cada vez menos esforço, tanto por parte do Estado quanto das famílias, por investir em ações que promovam o respeito pela educação e pelos agentes, colegas e professores, envolvidos nela. Esse problema começa na família e acaba gerando um solo fértil para que a indisciplina e a agressividade se manifestem desde cedo no convívio entre os alunos e também entre eles e seus docentes.

Consequentemente, há o surgimento de episódios de violência escolar, os quais, para além dos casos explícitos, abrangem uma categoria ainda mais perigosa: a agressão simbólica. Segundo o filósofo Pierre Bordieu, certos comportamentos sociais ditos como “naturais” podem ser utilizados para a coerção e humilhação do que é diferente. Esse conceito pode ser usado para descrever os frequentes casos de bullying que assolam o ambiente educativo. De acordo com uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2015, cerca de de 19,8% dos alunos brasileiros já praticaram tal ato, o que expõe um quadro de agressividade simbólica que deve ser combatido.

São necessárias, portanto, medidas para a amenização das causas desse problema que gera tantos danos a diferentes indivíduos nas escolas. Afim de disciplinar os jovens, urge que o poder público se una com as famílias dos alunos para tratar a problemática. Isso deve ser feito por meio de projetos que promovam constantes reuniões entre as escolas e os responsáveis pelos discentes, visando expor a situação e sensibilizar os últimos acerca da responsabilidade que possuem na educação do desejo de seus jovens. Ademais, as instituições escolares devem implementar disciplinas que abordam temas como cidadania e inteligência emocional no currículo de atividades, valendo-se de profissionais do comportamento humano para ensinarem o alunado. Tal medida auxiliaria as famílias a discutirem o assunto dentro do seu cotidiano doméstico. Dessa forma, estaria-se realizando importantes passos que resultariam, gradativamente, na amenização do quadro de agressividade presente no ambiente escolar atual.