O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar

Enviada em 24/07/2020

A Ilha de Utopia idealizada por Thomas More retrata uma civilização desprovida de violência. Todavia, percebe-se a inexistência desse lugar no mundo real, dado que os noticiários e a mídia social é tomada pelos relatos de atrocidades cometidas por cidadãos no Brasil. Assim, algumas das crianças, inconscientemente, são influenciadas a terem comportamentos agressivos no ambiente escolar, onde lhes são dados mais liberdade com os colegas de turma. Esse cenário caótico, por ter graves consequências para as vítimas, deve receber a devida atenção dos familiares do agressor e do agredido, em conjunto com as escolas e profissionais contendo possíveis complicações futuras.

Antes de tudo, é digna a menção da necessidade de incentivar o protagonismo infantil para a melhor participação das crianças no seu processo de crescimento e desenvolvimento pessoal e social. Entretanto, essa metodologia envolve não apenas a alfabetização - que é dever das escolas - como também promove a liberdade  e a expressão de pensamentos. Logo, visando canalizar esse processo apenas nos benefícios que ele apresenta e evitar que seus filhos se vejam no direito de ter atitudes verbais ou físicas agressivas ao outro, a responsabilidade dos pais cresce proporcionalmente à autonomia dos pequenos a medida em que a relação com amigos vai se desenvolvendo.

Somada a essa ideia, a prática do bullying torna-se um ciclo, uma vez que o agressor ao não receber atenção e cuidado em casa, busca o reconhecimento dos seus colegas e fomenta o papel de “valentão” por meio de insultos contra aqueles que por algum aspecto é considerado inferior do seu ponto de vista. Nesse contexto, a vítima que é humilhada tem grandes chances de desenvolver quadros de baixa autoestima, de depressão, de automutilação e em casos mais sérios porém recorrentes, de suicídio. Como ilustrado na série “13 Reasons Why” da Netflix no qual a protagonista após sofrer diversas opressões e não exterioriza-las, comete suicídio. Portanto, o acompanhamento psicológico também é necessário visto que situações como essa podem ser evitadas ao analisar a raiz do problema.

Torna-se evidente, pois, a necessidade de minimizar o desenvolvimento de mau comportamento e a agressividade de alunos no âmbito escolar e familiar. Assim, cabe aos familiares, por seu dever educador social, estarem inclusos no processo de crescimento das crianças a fim de desenvolver um sentido ético que invalida qualquer pensamento ou atitude violenta. Paralelamente, o Ministério da Educação junto com as escolas privadas devem investir em um suporte emocional e psicológico às vítimas e aos agressores, por meio do fornecimento de profissionais capacitados (psicólogos e psiquiatras) com o intuito de identificar e lidar com a situação e reprimir a evolução e o agravamento de traumas e transtornos psiquiátricos.