O mau comportamento e a agressividade crescente de alunos no ambiente escolar

Enviada em 24/06/2020

No jogo eletrônico “Bully”, o personagem Jimmy Hopkins ingressa numa escola de baixa qualidade, procurando estabelecer a paz em suas interações com outros colegas, sem obter, no entanto, resultados satisfatórios, pois era sempre assediado e desrespeitado. Fora da ficção, tal cenário se repete no mundo atual, visto que, diariamente, casos de violência explícita e implícita, como o bullying, e o desrespeito à figura do professor, têm sido cada vez mais abundantes no Brasil. Ora, isso ocorre quer seja pelo falho modelo educacional brasileiro, quer seja pela impunidade. Dessa maneira, urge a necessidade do debate acerca do mau comportamento e a agressividade crescente no ambiente escolar.

Mormente, vale salientar o comprometido sistema de educação deste país como uma das principais causas dessa problemática. Segundo Paulo Freire, importante filósofo e educador brasileiro, sem a educação é impossível cogitar mudança na sociedade. Sob essa ótica, percebe-se que nos últimos anos o cenário não melhorou, uma vez que os portais de notícias mostram este fato. Sobre isso, foi noticiado, em Setembro de 2018,  pelo portal Veja, que um professor foi humilhado em plena sala de aula pelos alunos, no Rio de Janeiro. Entretanto, essa situação não se restringe a essa localidade, mas também a outras em todo o território, deixando clara a ausência de transformação comportamental, de modo a ratificar o pensamento de Freire.

Ademais, cabe ressaltar ainda a pedagogia inoperante e retrógrada que rege as redes escolares. Tal ponderação é confirmada, entre outros aspectos, pela tolerância àqueles de conduta ruim, possibilitando aos tais a continuarem com a prática da indisciplina e da agressão. Essa postura, por sua vez, não promove nenhum avanço, pois o país ainda permanece em 57° lugar no ranking mundial da educação, além de liderar o de violência nas escolas contra professores e outros colegas, segundo o PISA de 2018 e a OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), respectivamente. Logo, faz-se imperativo a alteração metódica do modelo pedagógico.

Em suma, são necessárias medidas que atenuem a crescente onda de mau comportamento escolar. Para tanto, é preciso que o Estado e o Ministério da Educação, como importantes gerenciadores que são, direcionem investimentos para a construção de colégios militares nas cidades em que apontam maiores índices desse problema - com o auxílio do IBGE. Isso pode ser feito com o objetivo de colocar ordem e disciplina na escola, de forma a estimular os estudantes a se tornarem, não só pessoas melhores para a sociedade, como também para si mesmas. Dessa forma, tanto o sistema quanto a impunidade diminuirão e, também, será alçado o patamar esperado pelo renomado Paulo Freire.